Começa hoje, no Pais Basco, o Festival de Cinema de San Sebastián, o evento cinematográfico espanhol com mais impacto e uma verdadeira mostra do cinema mundial e particularmente latino.
Numa edição particularmente importante, especialmente por se tratar da 60ª, o Festival ocorre num ano em que sociedade espanhola vive momentos de instabilidade social fruto da austeridade imposta pela UE, mas isso não retira o brilho ao certame, que aposta mais que nunca em trazer nomes sonantes do panorama cinematográfico mundial e numa programação rica em estreias europeias e locais.
Um dos prémios mais importantes deste evento é o Prémio Donostia, nesta 60ª edição entregue a cinco personalidades: Oliver Stone (Cineasta), Ewan McGregor, Tommy Lee Jones, John Travolta e Dustin Hoffman (Atores). Este último irá mesmo aproveitar a estadia no certame para apresentar o seu filme estreia: «Quartet». A estes junta-se Penélope Cruz, Ben Affleck, Julie Taymor, Mia Hansen-Love, Ricardo Darín,Maribel Verdú e Santiago Segura, entre muitos outros.
Richard Gere e Susan Sarandon encantam gala de abertura
Na gala de abertura, que decorre esta noite, um dos focos de atenção é o recuo na história para contar o percurso do festival ao longo das suas 60 edições. Tal como em edições anteriores será também entregue o Grande Prémio atribuído pela International Film Press Federation (Fipresci) ao filme «Amour» de Michael Haneke. Segue-se a exibição de «Arbitrage», o novo filme de Nicholas Jarecki.
Fraude, redenção e castigo
Apresentado no certame por Richard Gere e Susan Sarandon, o filme americano «Arbitrage» – que teve a sua estreia em Sundance – acompanha um poderoso empresário numa situação de declínio total.
Em termos laborais, e atraído para um negócio que se revelou ruinoso, este homem (Gere) falsifica números da sua empresa, algo que será descoberto pela filha (Brit Marling), colocando em risco o seu relacionamento.
Emocionalmente as coisas também se complicam. A relação de adultério que vive com uma marchand de arte (Laetitia Casta) ganha novos contornos após esta morrer num acidente de viação do qual é responsável. Sufocado financeiramente e seguido de perto pela polícia (em especial por um detetive interpretado por Tim “Lie To Me” Roth), a obra tem como ponto alvo a espiral decadente de um homem que foi longe demais na sua ambição, mas curto na sua visão mais próxima, ou seja, das relações familiares.

