Ainda não existem dados oficiais do ICA, mas o volume enorme de gente que lotou todas as sessões noturnas do São Jorge e preencheu de forma bastante razoável as tardes nos dias de semana, deixam claro que o festival foi, mais uma vez, bem-sucedido. Muitos filmes tiveram rapidamente os bilhetes esgotados e, em alguns casos, era impossível consegui-los na hora. Pelo menos um deles, “V/H/S”, teve direito a uma nova sessão, já que a primeira esgotou-se rapidamente.
Uma das primeiras impressões é de que no Motelx não se enquadram aqueles perfis de público normalmente associados ao género – que em tempos seria dominado por jovens do sexo masculino. Uma simples olhadela pelos dois saguões normalmente repletos bastava para encontrar pessoas de todas idades, homens e mulheres. O que demonstra que, parafraseando a chamada frase publicitária do festival, o terror é mesmo bem-vindo em Lisboa. Público este que também esteve ativo nas conversas, após os filmes, com os vários cineastas que estiveram presentes.
Igualmente importante foi a alta qualidade da programação. Responsável pela cobertura mais exaustiva do evento, o C7nema praticamente não encontrou, com algumas exceções, filmes que entendesse que não mereciam figurar no evento.
Um primeiro aspeto foi a diversidade: foi terror para todos os gostos e, o que é sempre importante, também para aqueles que não são, necessariamente, fanáticos do género. A abertura, com “REC3”, prendeu-se a um projeto de renome que, longe de ser consensual em termos de gosto, é importante porque serviu como antestreia para o seu lançamento comercial em Portugal a partir de outubro.
De resto, houve de tudo. Terror da velha guarda com “The Butterfly Room”; pérolas do gore, como “Inbred”; o found footage do aguardado “V/H/S”; o sadismo cirúrgico de “American Mary”; os fantasmas, serial killers e casas assombradas de “The Pact”, somadas à poesia de “Livid”; os excertos oníricos inesquecíveis de “Excision”; perseguições subterrâneas, com “Urban Explorers”; o suspense de obras como “The Tall Man” e “Babycall”; releituras vampirescas, com “The Midnight Sun” e “Vampire”; “terror em forma de anime com “King of Pigs”; filmes políticos e religiosos, como “Red State”; terror asiático de variadas formas e feitios (“Laddland”, “Revenge – A Love Story”, “Red Tears”, “The Yellow Sea”, “The Raid”) – e as obras de um convidado ilustre, Dario Argento, com especial lembrança para a oportunidade de assistir no grande ecrã o seu maior clássico, “Suspiria”. Isso para citar só alguns.
O maior senão a apontar foi a premiação para curtas portugueses, pois o vencedor, “A Bruxa de Arroios”, NÃO É um filme de terror – é uma comédia do quotidiano, com uma banda sonora feita por uma banda… de jazz! Um mal menor, que não mancha a imagem do festival que, espera-se, tem tudo para cá estar no próximo ano e mais uma vez em força…

