«Looper» podem bem ser o filme que faz as capas dos jornais para referir o inicio do Festival de Cinema de Toronto, mas esquecendo a retrospectivas a Chris Marker e Roman Polanski na cinemateca de Toronto – cabe a «Tabu» de Miguel Gomes a honra de ser o primeiro filme contemporâneo a ser exibido no certame que se inicia hoje e decorre até ao próximo dia 16 de setembro.
Já conhecido como um dos mais importantes festivais do continente americano, Toronto é de há uns anos para cá uma das janelas mais escancaradas para a promoção no mercado norte-americano, sendo frequentes as estreias, as galas e o aproveitar o facto de o Festival de Veneza estar tão próximo para captar alguma da sua programação.
Com obras divididas por diversas secções, e que viajam entre a ficção e o cinema documental, com particular destaque para o dito «World Cinema», as sessões da meia noite e as galas, Toronto tornou-se um ponto obrigatório no mapa mundo dos festivais e este ano essa importância acentua-se. Basta ver o primeiro dia de programação para perceber o frenesim que rodeia o evento. Para além dos dois filmes já adiantados, haverá ainda tempo para «Rust and Bone», o novo filme de Jacques Audiard, «Dredd 3D» e «Pela Estrada Fora», entre muitos outros. Pelo meio ainda vamo ter direito a eventosespeciais, como a que Jason Reitman, realizador de obras como «Obrigado por fumar» e «Juno», vai executar no primeiro dia, em que vai coordenar em palco e ao vivo a «leitura» do argumento original de «American Beauty».
A Presença Portuguesa
«Tabu» de Miguel Gomes não é será o único trabalho nacional no certame. A este juntam-se ainda «As Linhas de Wellington», de Valeria Sarmento (a partir do trabalho de Raul Rúiz), presente atualmente em Veneza, e «A Última Vez que Vi Macau», de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, filme que deixou a sua marca no passado Festival de Locarno.
Já Gabriel Abrantes pega em «As Aves» de Aristófenes para levar ao grande ecrã um trabalho experimental filmado a 16mm no Haiti. «O Grande Kilapy» do angolano Zézé Gamboa, «Imagine» de Andrzej Jakimowski e «Insensibles» de Juan Carlos Medina são outras produções e co-produções com o dedo nacional.

