Veneza 2012: «Pietà», um conto moral sobre dinheiro e redenção

(Fotos: Divulgação)
 

«Que Deus tenha compaixão de nós». Assim o diz Kim Ki-Duk, um dos mais importantes cineastas da Coreia do Sul.
 
Realizador de filmes como «A Ilha», «A Samaritana», «Primavera, Verão, Outono, Inverno…e Primavera» e «Ferro 3»,  Kim Ki-Duk apresentou em Veneza «Pietà», o seu 18º filme, que vai buscar a a famosa escultura assinada por Michelangelo – na qual a Virgem Maria segura nos seus braços um desfalecido Jesus- o seu título, o seu poster e também a sua inspiração.
 
Na fita temos Lee Jung-Jin (Wonderful Radio) como um brutal e solitário homem que cresceu num orfanato, mas que um dia encontra uma mulher (Jo Min-Su) que diz ser a sua mãe. Inicialmente, este mercenário contratado por agiotas não acredita na história da mulher, mas progressivamente a ligação entre os dois evolui acabando por se descobrir qual a razão que motivou a mãe a procurá-lo. 
 
 
 
Este é um conto moral sobre redenção, mas também um ensaio sobre o capitalismo, o dinheiro e como este pode negar a busca pela paz interior. Kim Ki-Duk assume que «o dinheiro testa as pessoas na sociedade capitalista e que as pessoas hoje em dia são obcecadas com a fantasia que o dinheiro resolve tudo». Para o cineasta, o dinheiro representa precisamente o oposto, e «é o elemento que provoca a maioria dos problemas nos dias de hoje». 
 
Neste «Pièta», duas pessoas que dão e recebem a dor por causa do dinheiro veem os seus caminhos cruzarem-se, transformando-se numa família. E como qualquer família, eles percebem que se tornam cúmplices em tudo o que ocorre nesse período. «O dinheiro vai continuar a fazer questões até que as pessoas desta era morram. Eventualmente vamos nos tornar no dinheiro uns dos outros», conclui o cineasta.
 
 
 
Para dar intensidade no pano de fundo da sua história, Kim Ki-Duk optou por filmar a ação em Cheonggyecheon, em Seul, um local que se pode considerar uma personagem nesta história e que transmite ao realizador muitas das suas memórias de infância. Neste local, aquilo que era terrenos férteis numa Coreia industrial, surge agora como uma zona em decadência, um pouco como as personagens da obra, que buscam algo que já não existe nelas.
 
«Pietà» não tem qualquer previsão de estreia em Portugal, mas não estaria na altura de o Fantasporto repescar o trabalho de um dos cineastas que tanto acompanhou ao longo da sua história?
 
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