«The Master», o novo filme de Paul Thomas Anderson («Jogos de Prazer», «Magnólia», «Haverá Sangue») já passou pelo Festival de Veneza deixando já boas indicações que é um dos fortes candidatos, não só ao prémio final mas também um nome a ter em conta para os Óscares.
Quem também foi bastante aplaudido pela sua interpretação foi Joaquin Phoenix, ator que regressou aos palcos depois de uma ausência forçada pelo próprio e que conduziu ao documentário «I’m Still Here». Mas se o papel do ator foi bastante louvado, já o seu comportamento na conferência de imprensa Veneza tem feito com que os media esqueçam um pouco a cobertura ao filme e se centrem nele. Ao que consta, Phoenix surgiu na conferência de imprensa bastante mal humorado, dando a nítida sensação de desconforto em estar ali. Fumou, saiu algumas vezes para ir ao WC, e esquivou-se das questões. Às únicas questões que lhe fizeram diretamente, sobre onde tinha encontrado força e a fúria para a sua personagem, o ator respondeu com um seco «não sei».
Voltando ao filme, este viaja até aos anos 1950 para criar a personagem de Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), um cientista, escrito e filósofo que cria um novo culto intitulado A Causa. As influências da criação da Cientologia por L. Ron Hubbard (1911-1986) estão aqui bem patentes, sendo Lancaster uma personagem que através de testes e de regressão a vidas passadas «consegue» curar doenças e dominar personalidades afetadas pela fúria ou raiva, colocando a mente a controlar o corpo. «Há muitas semelhanças com os primórdios da dianética (…) o início daquele movimento inspirou-me», admite Anderson.
Paul Thomas Anderson e Joaquin Phoenix
Freddie (Joaquin Phoenix), um jovem que regressa aos EUA depois do final da 2ª Guerra Mundial, acaba por ser o maior desafio de Lancaster. Sempre com um tom perturbado, com problemas de alcoolismo, dificuldades sociais e uma incontrolável desejo sexual, Freddie envolve-se na seita. O “casamento” das duas partes parece vantajoso para ambos: Lancaster encontra a cobaia perfeita, um protegido, e Freddie uma forma de salvação. «Eles identificam-se um com outro (…) ambos são animais selvagens, mas um deles domesticou-se e agora ensina outras pessoas a fazê-lo», admite Philip Seymour Hoffman, um habitué nos trabalhos de Anderson.
A toda esta força das personagens, típica no cinema deste cineasta, acrescenta-se um tom muitas vezes hipnótico do filme, a reconstrução da época carregada pelos 70mm da película que lhe dão contornos épicos, e uma banda-sonora original de Jonny Greenwood, membro dos Radiohead, que repete a sua colaboração com Anderson após «Haverá Sangue».
«The Master» estreia em Portugal em Novembro. Aqui ficam algumas imagens da passagem de Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman e Paul Thomas Anderson por Veneza.
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