Arranca hoje a 69ª edição do Festival de Veneza, um certame que apresenta um novo «look», um novo director e (aparentemente) a mesma qualidade nos nomes e filmes presentes na sua agenda.
O novo «look» advém da criação de uma nova praça comum ao ar livre no local que cobre parte do buraco aberto para a construção do que seria o novo Palácio de Cinema. Já em termos de direção, Alberto Barbera substituiu Marco Müller, que entretanto foi designado como o novo diretor artístico do Festival Internacional de Cinema de Roma e prepara uma verdadeira revolução no evento.
No que diz respeito à qualidade, nomes como Terrence Malick, Brian de Palma, Marco Bellochio, Takeshi Kitano, Paul Thomas Anderson, Mira Nair, Olivier Assayas, Kim Ki-Duk e Brillante Mendoza garantem seguramente uma programação forte.
É aliás com Mira Nair (na imagem acima) e o seu «The Reluctant Fundamentalist» que o certame terá a sua abertura oficial.
«The Reluctant Fundamentalist»
Adaptado a partir da obra de Mohsin Hamid, e com Riz Ahmed, Kate Hudson, Liev Schreiber, Martin Donovan e Kiefer Sutherland no elenco, no filme seguimos Changez, um jovem paquistanês (Ahmed), que trabalha em Wall Street e cuja vida muda radicalmente quando ocorrem os atentados do 11 de Setembro. Tudo é contado num café a um estranho e assim saberemos a sua ascensão meteórica no mundo da finança, mas também a sua queda vertiginosa e os fracassos amorosos que associados aos ataques terroristas levaram-no a abandonar o EUA e regressar ao Paquistão.
De notar que esta é a quinta vez que Mira Nair regressa a Veneza com uma obra, isto depois de ter participado com «Mississippi Masala» (1991), «Um Casamento à Chuva» (vencedor do leão de Ouro em 2001 ), «11’09’01-September 11» (no qual realizou um dos segmentos em 2002) e «Vanity Fair» (2004).
No que toca ao cinema nacional, há duas presenças importantes. De um lado temos «As Linhas de Wellington» na competição oficial. Esta obra, filmada pelo falecido Raúl Ruiz e completada por Valeria Sarmiento (esposa do cineasta), é uma produção portuguesa (Paulo Branco) repleto de nomes nacionais e internacionais, como Vincent Perez, Soraia Chaves,Paulo Pires ,Nuno Lopes, Melvil Poupaud, Mathieu Amalric, Marisa Paredes, Adriano Luz, Albano Jerónimo, Carloto Cotta, Catherine Deneuve, Michel Piccoli, Maria João Bastos, John Malkovich, Isabelle Huppert, Gonçalo Waddington, Chiara Mastroianni, Ricardo Aibéo, Pedro Lacerda e Manuel Wiborg, entre outros.
«As Linhas de Wellington»
Quem também regressa a Veneza, mas fora de competição, é Manoel de Oliveira com «O Gebo e a Sombra». Adaptado ao cinema a partir de uma peça de quatro atos do escritor e jornalista português Raul Brandão, «O Gebo e a Sombra» acompanha de Gebo, um cobrador/contabilista honrado que cumpre o seu dever mas esconde da sua esposa que o filho, João (a Sombra) o rouba, ou melhor, rouba o patrão da Companhia Auxiliar. Por causa dessa situação, Gebo é alvo de chacota por parte de quem o conhece e acaba por assumir o crime do filho, passando três anos na cadeia. É aí que ele pensa a sua vida de injustiças e questionar tudo a sua volta.
Michael Lonsdale (India Song), Claudia Cardinale (Once Upon a Time in the West), Leonor Silveira (Os Canibais), Ricardo Trêpa (O Quinto Império – Ontem Como Hoje), Jeanne Moreau (Jules et Jim) e Luís Miguel Cintra (A Caixa) são alguns do nomes no elenco desta obra que vai marcar a sexta participação em Veneza do cineasta português – que já conta com 103 anos.
O Festival de Veneza decorre de 29 de agosto e 8 de setembro.

