Hervé P. Gustave, o pornógrafo presente no Festival de Locarno

(Fotos: Divulgação)

O nome de Hervé P. Gustave (HPG para os amigos e os que o seguem de perto há algum tempo) está diretamente ligado à indústria do sexo, é verdade. Ainda durante a última edição do IndieLisboa, tivemos a oportunidade de ver o documentário “Il n’y a pas de rapport sexuel” (ler critica), produzido pelo próprio, que o mostrava a recrutar potenciais atores e a dar algumas lições (teóricas e práticas) de como fazer uma determinada cena. 
 
Não é que a sua relação obsessiva com o sexo e o corpo tenha começado com a sua carreira “porno”. Antes de se ter tornado ator e realizador, HPG frequentou “peep shows” na Rue Saint-Denis, para mais tarde se tornar “stripper” e “interprete” em teatros eróticos. Em 1990, surge a primeira oportunidade no universo “porno” com o filme “A brazilian woman at the Trocadero”, e desde então nunca mais parou, fazendo centenas de filmes, iniciando uma nova vaga de “faça você mesmo”, e ganhando admiradores em personalidades como Jacques Audiard, Catherine Breillat (que o convida para o seu filme “Romance”), Bertrand Bonello (O Pornógrafo),  Leos Carax, Jean-Luc Godard, Mathieu Kassovitz, Cédric Klapich, Gaspar Noé, Jean-François Richet e Lars Von Trier. Tal como este último, sofre acusações de misoginia por parte de ativistas dos direitos das mulheres, por alegadamente insistir numa temática de humilhação feminina. Este protesto consegue impedir futuras transmissões do documentário “HPG,  sonvit, sonœuvre”, que tem uma primeira exibição altamente polémica no Canal+ em janeiro de 2001. 
 
Mas o interesse crescente neste homem leva também a que a Cinemateca Francesa exiba algumas das suas obras mais marcantes. E em 2006, surge a sua primeira longa-metragem mais “séria”: “On ne devrait pás exister”, uma tragicomédia intimista, potencialmente autobiográfica, que narra as dificuldades de HPG nos relacionamentos e a sua vontade em abandonar o porno para seguir uma carreira de cineasta mais tradicional. O filme consegue ser selecionado para a Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes desse ano. 
 
HPG e Eric Cantona 
 
Esta vontade de seguir um rumo menos… pornográfico conduz-nos a “Les Mouvements Du Bassin (Hip Moves)”. HPG leva o filme a Locarno, mais uma vez num registo potencialmente autobiográfico, tendo-se a si mesmo como protagonista, desta vez contracenando com o ex-jogador de futebol Eric Cantona. O filme narra a história de um homem solitário que vive apenas para as suas aulas de autodefesa. Ao ser despedido do seu emprego num zoo, por deprimir os animais, arranja um outro emprego como vigilante numa fábrica, e é aí que começa a acompanhar mais de perto os amores e desamores de um colega e a sua mulher. A estreia comercial em França está marcada para o próximo mês de setembro, não se adivinhando ainda um lançamento comercial em cinemas por cá. Mas, a avaliar por indicações anteriores, merece que estejamos atentos de qualquer das maneiras… 
 
 

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