Foi divulgada a lista dos filmes presentes na secção Horizontes Latinos no próximo Festival de Cinema de San Sebastián, o mais importante evento cinematográfico espanhol que decorre na cidade basca de 21 a 29 de setembro.
Este ano, foram selecionados 12 filmes provenientes de países como a Argentina, o México, o Chile, o Brasil, o Uruguai e a Colombia.
Logo à cabeça convém destacar «Infancia Clandestina», obra do argentino Benjamín Ávila que já esteve presente na Quinzena dos Realizadores de Cannes, isto depois de já no ano passado ter levado o Prémio Casa da América na categoria Filmes em desenvolvimento no festival de San Sebastián. Neste conto que envolve falsos passaportes, esconderijos na garagem, mudanças de casa, aniversários inventados e visitas secretas à avó, acompanhamos um rapaz que aprende a viver em circunstâncias muito complicadas.
Ainda da Argentina chega «El Ultimo Elvis», um filme de Armando Bo que competiu em Sundance e abriu o BAFICI. No filme seguimos um cantor divorciado que acredita que é a reencarnação de Elvis. Quando a filha adoece, e numa jornada de muita loucura e muita musica, Carlos terá de decidir entre o seu sonho musical e a família.
«El Ultimo Elvis»
Finalmente, e ainda deste país, temos «Salsipuedes», fita de Mariano Luque que passou pelo Festival de Berlim e que acompanha um casal num dia de férias sem grandes motivos para alegria.
Passando para o México, o primeiro grande realce vai para o vencedor da semana da critica em Cannes : «Aqui Y Allá», de Antonio Méndez Esparza. Na obra acompanhamos Pedro, um homem que depois de muitos anos ter trabalhado nos EUA, regressa à pequena vila onde se encontra a sorridente mulher e os filhos distantes.
Ainda do México surge «Depués de Lucia», o grande vencedor da secção Un Certain Regard (Um Certo Olhar) no Festival de Cannes. Realizado por Michel Franco, na obra seguimos Roberto, um homem depressivo que desde que é é viúvo já não trata muito da filha Alejandra de 15 anos. Após mudar-se para o México, a sua filha vai suportar abusos psicológicos, sexuais e humilhações para não criar mais problemas ao pai. Pai e filha afastam-se cada vez mais, a violência está presente em todos os aspetos da sua vida.
«Depués de Lucia»
Finalmente, e ainda no que toca a produções mexicanas, destaque para a presença de «Post Tenebras Lux», o último filme de Carlos Reygadas, mais uma das obras que passou pelo festival de Cannes e que foi premiada no meio de aplausos e assobios. Depois de «Luz Silenciosa», descemos a uma natureza nua e crua no meio de uma zona rural mexicana. Aí seguimos uma família de proprietários a viver num mundo a parte.
Do Uruguai vem «El Bella Vista», um documentário que só pela sua história tornou-se um dos filmes mais desejados de 2012. Ora vejam: neste filme de Alicia Cano seguimos uma casa que começou por ser um clube de futebol, foi posteriormente transformada num bordel de travestis e derradeiramente transformou-se numa capela católica. Tudo isto numa pequena cidade conservadora do Uruguai.
«El Bella Vista»
Ainda deste país chega ao certame «La Demora», o terceiro filme do Uruguaio Rodrigo Plá (La zona, Desierto adentro) que teve a sua estreia na secção Forum do passado Festival de Cinema de Berlim. No filme acompanhamos a luta diária de uma mulher obrigada a tomar conta do pai de 80 ano que após uma doença fica com graves problemas de memória.
Do Brasil chega «Era uma vez Verónica», um trabalho de Marcelo Gomes – realizador do já clássico «Cinema, aspirinas e urubus» – que acompanha uma mulher que tem de satisfazer o ultimo pedido do seu pai: que encontre o amor da sua vida.
Do Chile surge «Joven Y Alocada», filme estreia de Marialy Rivas que esteve presente na secção gerações do Festival de Berlim. Na fita acompanhamos uma jovem de 17 anos que vai encontrar uma forte barreira ideológica relacionada com a religião evangélica da sua família.
«Joven Y Alocada»
Por fim, chegamos à Colômbia. Deste país chega «La Playa» e «La Sirga». O primeiro é um filme de Juan Andrés Arango que competiu na secção Un Certain Regard em Cannes, e que acompanha um jovem numa jornada de busca pelo irmão na cidade de Bogotá. Já «La Sirga» passou pela Quinzena dos Realizadores e é uma obra dramática com tons de suspense de William Veja – que encontrou em Tarkovksy uma forte influência para a obra. Nela seguimos Alicia, uma mulher despojada dos seus pertences que procura ajuda na «La Sirga», uma hospedaria junto a um lago que é propriedade de um seu tio. Rapidamente ela torna-se objeto de desejo sexual da pequena localidade o que irá condicionar a ação.

