Começou ontem o Festival Internacional de Cinema de Melbourne, um dos principais eventos cinematográficos na Austrália que apresenta um programa recheado de títulos locais e internacionais.
No seu extenso programa, realce para a presença de algumas produções e co-produções portuguesas, como «Tabu» de Miguel Gomes, «Palácios de Pena» de Gabriel Abrantes e até «Bonsai», do chileno Cristián Jiménez.
No caso de Abrantes, este é um regresso ao certame, isto depois de no ano passado ter vencido o prémio de melhor curta experimental com «A History of Mutual Respect».
O cinema brasileiro também marca uma forte presença no certame, e esta vai para além de filmes como «Pela Estrada Fora» de Walter Salles, ou do “nosso” «Tabu» (que para todos os efeitos é uma co-produção com presença brasileira). «Girimunho», «Tropicalia», «O Som ao Redor» e as curtas «Cine Camelô» e «Doppelgänger» são títulos sólidos presentes neste certame.
Uma mostra para o cinema australiano
O cinema australiano tem sido, na generalidade, um dos grande esquecidos dos distribuidores portugueses, sendo «The Eye of The Storm», que estreia no nosso país no próximo dia 15, uma das raras excepções em termos de lançamentos em sala. Obras como «Animal Kingdom», «Red Dog» e «The Hunter» foram ignorados e blockbusters como «Tomorrow when the war began» foram mal lançados (mais por culpa da Paramount do que do distribuidor local).
Porém, esta é uma cinematografia muito rica, e o Festival Internacional de Cinema de Melbourne dedica – com naturalidade uma secção a ele. Aqui vamos encontrar obras de ficção cientifica (Errors of The Human Body), thrillers (Bad Debts), comédias (Save Your Legs), obras de época (Crooker Island Exodus) e musicais (The Sapphires), muitos deles baseados em histórias verídicas, ora com regressões até à 2ª Guerra Mundial, ora com o debate da questão aborígene, tão presente sempre nesta cinematografia e no cinema documental do país. Nesta temática, realce para a presença no certame de «Coniston», um docudrama sobre o massacre de aborígenes ocorrido há cerca de 80 anos no local.
A noite da abertura ao som das Sapphires
Apesar de ter passado por Cannes, a grande prova de fogo desta obra australiana ocorreu ontem com a sua estreia no país e com a presença de um grande número de familiares do elenco e da equipa técnica do filme.
Na fita, que é inspirada em factos verídicos, estamos na Austrália, em 1968. Aí, três irmãs aborígenes, Gail, Julie e Cynthia e a prima Kay, são descobertas por Dave, músico irlandês de carácter bem temperado, amante de whisky e de musica soul. Dave recompõe o reportório do grupo, rebaptizado-as de The Sapphires, e organiza uma tournée pelas zonas de guerra do Vietname do Sul. No delta do Mékong, onde elas cantam para os fuzileiros, as raparigas enlouquecem multidões, esquivam-se das balas e apaixonam-se.
Realizado por Wayne Blair e com um elenco composto por Chris O’Dowd, Deborah Mailman, Jessica Mauboy, Shari Sebbens e Miranda Tapsell, «The Sapphires» será distribuído em Portugal pela Zon, mas ainda não tem data de estreia.
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