FESTin fala a língua da diversidade

(Fotos: Divulgação)

Estruturado sobre o princípio de explorar as imagens mais poéticas que a língua portuguesa, em todas as suas latitudes de falar, pode produzir, o FESTin inaugurou uma nova edição no Rio de Janeiro, carregado de lusofonia. O seu lar é a Caixa Cultural (localizada na Rua do Passeio 38), com 25 títulos, quase todos inéditos, na sua programação. O ciclo de exibições segue até ao dia 29 de outubro, vitaminado por debates, oficinas, sessões voltadas para o público infantil. E tudo é gratuito, a começar com a longa-metragem de abertura, uma joia das estéticas musicais de não ficção chamada “Lupicínio Rodrigues: Confissões de um Sofredor“, de Alfredo Manevy. No cardápio voltado para miúdos tem a animação “Chef Jack – O Cozinheiro Aventureiro”, assinada por Guilherme Fiuza Zenha. No empenho de valorizar a ampliação da presença feminina nas telas, o evento – arquitetado por Léa Teixeira e Adriana Niemeyer, recheou a programação de títulos realizados por mulheres. Um deles é “Elle, Marielle Franco”, de Liliane Mutti e Daniela Ramalho, filme ensaio centrado na ausência que a vereadora e ativista das lutas antirracistas e da batalha contra a homofobia deixou, após o seu assassinato, em 2018.

Na entrevista que se segue, Léa e Adriana dimensionam o festival para o C7nema.

Documentário sobre Lupicínio Rodrigues abre o FESTin

Existem filmes sobre educação, sobre culinária, sobre música… mas o que se vasculha sobre o Brasil em cada um desses filmes e na soma dele, digo, que desenho de país se faz ver?
Léa Teixeira:
Diversos filmes, longas, média e curtas que abordam temas como educação, sexualidade, juventude, história, culinária e música, no Brasil, podem fornecer insights interessantes sobre a cultura, a sociedade e a identidade daquele país. Ao assistir a uma seleção de filmes que cobre esses tópicos, é possível construir um desenho multifacetado do Brasil. Filmes que mostrem a realidade da educação no Brasil podem oferecer uma visão das questões educacionais, desafios e oportunidades enfrentados pelo país e pela população. Eles podem destacar a importância da educação no desenvolvimento social, bem como as disparidades no sistema educacional brasileiro. Filmes como “Cidade de Deus”, “Que Horas Ela Volta?”, “Salve, Amigues!” abordam questões educacionais de maneiras diferentes, mostrando os diversos aspectos da vida no Brasil.A culinária brasileira é rica e diversificada, refletindo a mistura de influências indígenas, africanas, europeias, asiáticas e etc. Filmes que exploram a culinária brasileira mostram a gastronomia como parte da identidade cultural do povo. No caso da música, ela desempenha um papel fundamental nas artes nacionais. Gêneros como samba, bossa nova, funk e a música popular brasileira (MPB) estão sendo reconhecidos internacionalmente. Filmes que tratam da música no Brasil revelam essa expressão poderosa da identidade cultural e social. Portanto, ao assistir a uma seleção de filmes que abrangem esses temas, você pode fazer uma imersão enriquecedora e multifacetada num Brasil riquíssimo culturalmente. É importante lembrar que essa visão será apenas uma parte da complexidade da realidade brasileira. A riqueza do país está em sua diversidade, e os filmes podem ser uma janela para explorar algumas dessas facetas.

Adriana Niemeyer: Cada vez mais o cinema é o retrato do Brasil: dos problemas políticos, da inclusão, das questões raciais e de género. Diria que o é ainda mais do que as novelas, uma vez que os realizadores podem contar com maior liberdade de expressão.  A maioria dos filmes inscritos este ano seguiram essas temáticas. Mas, logicamente, a música e a educação são temas que não podem faltar numa seleção de filmes brasileiros.  A culinária, desta vez, está dirigida às crianças, já que agora é um fenómeno entre elas almejar o título de “master chef”.

O FESTin sempre primou por um equilíbrio entre jovens talentos e medalhões já consagrados, com status de autor. De que forma esse equilíbrio se faz notar este ano? 
Léa Teixeira
:  Os organizadores do FESTin costumam investir tempo e esforço na curadoria da programação do festival. Isso significa selecionar uma ampla gama de filmes que representam tanto o trabalho de jovens talentos promissores quanto de cineastas estabelecidos, com base na qualidade artística e temática dos filmes. O FESTin pode incluir painéis de discussão, oficinas e eventos que promovem o desenvolvimento de novos talentos no cinema, criando um ambiente propício para a educação e o networking. Essa abordagem equilibrada ajuda a promover a diversidade e a riqueza do cinema em língua portuguesa, ao mesmo tempo, em que oferece uma plataforma para novos talentos e oportunidades de destaque para cineastas consagrados. Ela contribui para um ambiente cinematográfico vibrante e inclusivo que celebra tanto a inovação quanto a experiência. Este ano, por exemplo, fizemos a Carta de Lisboa, de modo a pedir espaço e incentivo cultural para todos os países de língua portuguesa e oportunidades para todos e todas as idades sem discriminação de gênero.
Adriana Niemeyer
:  Muitos críticos pensam que arriscamos muito, outros elogiam muito a nossa ousadia em colocar em “medalhões consagrados”, como diz, juntamente com realizadores que estão a apresentar o seu primeiro filme.  Respeitamos muito a trajetória dos grandes diretores que ganharam prestígio internacional, mas, para o festival, a oportunidade e a chance de ser selecionado ou de apresentar seu trabalho, é a mesma. O que conta é a obra e não o nome. Se queremos realmente dar destaque a algum realizador, optamos por fazer uma retrospetiva do seu trabalho. E este ano não foi diferente.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/ocxu

Últimas