Com a invasão da Ucrânia por parte da Rússia nas manchetes mundiais, o Festival Internacional de Documentários de Copenhaga, CPH:DOX, oferecerá na sua próxima edição, a decorrer de 23 de março a 3 de abril, uma série de novos filmes que “vão por trás do fluxo de notícias e fornecem novas perspectivas sobre a realidade na Rússia e na Ucrânia“.
Entre esses títulos, três destacam-se na competição internacional, a principal do evento: “Navalny“, “Holidays” e “Outside“.
Em “Navalny” do norte-americano Daniel Roher, o famoso líder da oposição russa, Alexei Navalny, é detetive e alegada vítima, sendo abordada a tentativa de assassinato contra a sua vida. Definido como um docu-thriller, o projeto parte de quando Navalnyi, num voo de passageiros para Moscovo, adoece mortalmente. “O avião pousa e o líder da oposição russa é escoltado inconsciente para um hospital siberiano. Os testes revelam que ele foi envenenado com o mortal Novichok, um agente nervoso usado contra críticos exilados do regime de Putin. Navalny sobrevive por um triz e une-se a um grupo de jornalistas para investigar a sua própria tentativa de assassinato. Estará Putin por trás do ataque ao dissidente russo? O presidente nega tudo, mas quando a incansável equipe de investigação consegue identificar os assassinos, os tópicos vão até o topo do Kremlin.“
Já “Outside“, produção entre Dinamarca, Ucrânia e Holanda, assinada por Olha Zhurba, acompanha a vida de um rapaz que, com 13 anos, tornou-se o rosto dos posteres e “mascote” da revolução ucraniana em 2014. Cinco anos depois, este rapaz solitário, chamado Roma, que cresceu num orfanato, completa 18 anos e de repente volta às ruas sem nada no bolso além de um isqueiro e uma faca. “Através de conversas telefónicas entre Roma e Olha Zhurba, vídeos de câmaras de segurança e sete anos de filmagens dos problemas de Roma”, onde se incluem o uso de drogas e a deriva pela vida, o filme aborda a história de um jovem sem raízes a ter de enfrentar a idade adulta.
Do outro lado da barricada vem uma história do interior da Rússia, uma produção suíça denominada “Holidays“. Assinado por Antoine Cattin, o documentário permite entrar na vida das pessoas comuns em São Petersburgo, desde um pobre imigrante cazaque, que vive num quarto cheio de baratas e percevejos, a um motorista de autocarro xenófobo, passando por uma mulher, chefe de assuntos municipais, que explora os seus funcionários “até ao osso“. “O mosaico cinematográfico de Antoine Cattin também fala de divisões nacionais, xenofobia, diferenças de classe, religião, atitudes de género e da próxima guerra, que na Rússia está sempre a atrair as sombras“, diz o texto do filme no site do festival.
Fora da competição ao DOX Award, mas ainda com Ucrânia e/ou Rússia em destaque, estão ainda o filme dinamarquês que fez furor em Sundance, ‘A House Made of Splinters‘, sobre um orfanato na parte leste da Ucrânia; “Novorossiya“, projeto focado na vida das pessoas no leste da Ucrânia devastada pela guerra; e “The Treasures of Crimea“, sobre uma coleção de artefatos históricos da Ucrânia presentes num museu em Amsterdão, quando a Rússia anexa a Crimeia. A quem devem ser eles devolvidos? Um dilema transformado em “drama de tribunal“.
Mais de 200 filmes serão exibidos no CPH:DOX, 76 dos quais em estreia mundial.

