Visions du Réel homenageia Marco Bellocchio

O Visions du Réel vai decorrer de 7 a 17 de abril

(Fotos: Divulgação)

O Visions du Réel anunciou ontem que o realizador, argumentista e produtor italiano Marco Bellocchio vai receber o Prémio Honorário do Festival, sucedendo assim a nomes como Emmanuel Carrère em 2021 e Claire Denis em 2020.

Esta homenagem do certame suíço ao realizador de filmes como “O Traidor” (Il Traditore, 2020) incluirá uma Masterclass e uma retrospetiva das suas obras.

Nascido em Bobbio, no norte da Itália, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Marco Bellocchio estudou na Academia de Arte Dramática de Milão e no Centro de Cinematografia Experimental de Roma. Depois de se afastar do neorrealismo logo na sua primeira longa-metragem, “Fists in the Pocket” (I pugni in tasca, 1965), Bellocchio assinou filmes como “A Leap in the Dark” (Salto no Vazio). Posteriormente, lançou obras como “Henrique IV” (Enrico IV) em 1984; “The Prince of Hombourg” (Il principe di Homburg) em 1997; “The Nanny” (La Balia) em 1999, e “L’ora di religione – Il sorriso di mia madre” em 2000.

Cineasta político, comprometido e antifascista, Bellocchio questionou constantemente a violência das instituições, particularmente a família no seu primeiro filme e em “China Is Near” (La Cina è vicina, 1967); a igreja em “In the Name of the Father” (Nel nome del padre, 1971) e “My Mother’s Smile” (L’ora di religione: il sorriso di mia madre, 2002); o exército com “Victory March” (Marcia trionfale, 1976); e a saúde no documentário “Fit to Be Untied” (Matti da slegare, 1974), codirigido com Silvano Agosti, Sandro Petraglia e Stefano Rulli. Ele também explorou a história italiana – “Buongiorno, notte“, em 2003, sobre o sequestro do político Aldo Moro por militantes das Brigadas Vermelhas, ou “Vincere” (2009), que conta a história da amante oculta de Mussolini.

Marco Bellocchio exerce uma impressionante liberdade e modernidade ao combinar registos de imagens e géneros, transitando entre ficção e documentário, entre o íntimo e o coletivo. Estamos extremamente felizes e encantados em prestar homenagem a um mestre indiscutível do cinema contemporâneo, bem como a um corpo de trabalho que, desde os primeiros filmes, demonstrou uma modernidade deslumbrante. E é taciturno, subversivo e audacioso, formidavelmente eclético”, explicou Emilie Bujès, Diretora Artística de Visions du Réel.

O Visions du Réel apresentará uma retrospetiva de cerca de dez títulos, uma mistura dos filmes mais significativos do realizador e alguns documentários raros. Além disso, será exibido -pela primeira vez na Suíça – o seu mais recente trabalho, “Marx può aspettare“.

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