IndieLisboa’12: Entrevista a Ann Kristin Reyels, a realizadora de «Formentera»

(Fotos: Divulgação)

Mudar de vida. Temos vontade e bravura para isso? E conseguimos deixar para trás as nossas rotinas e zona de conforto? Todos nós, em algum momento das nossas vidas, já fizemos esta questão. Para a germânica Ann Kristin Reyels, esta questão tornou-se a sua marca. «Hounds» (2008) já abordava a temática. «Formentera» segue a mesma linha, acompanhando um casal que durante umas férias na famosa ilha espanhola começa a perceber que desejam coisas díspares para o resto da sua vida.

O c7nema teve a hipótese de entrevistar Reyels, que não só confirmou a preferência pela temática, como também nos adiantou – em primeira mão – que o seu próximo filme vai voltar a tocar no assunto. Nascerá aqui uma trilogia sobre o «mudar de vida»? Veremos…

«Hounds» e «Formentera» lidam com pessoas que querem seguir vidas diferentes. O que a atrai nesta temática? Já alguma vez pensou em mudar de vida?

Sim, claro. Pensei e penso muito sobre isso e como quero viver a minha vida – apesar de um marido e os filhos. Um dia até pensei abandonar tudo mas faltou-me a coragem.

A Sabine Timoteo e o Thure Lindhardt estão fantásticos no filme. Pensou nos atores quando escreveu o guião?

Depois de os ver juntos no casting tornou-se impossível pensar em qualquer outros atores. Foi mágico. Eles não se conheciam bem e no entanto eu vi-os como um casal imediatamente. Tivemos um primeiro casting em 2009 e apenas começámos a filmar em 2011. Eles mantiveram-se comigo no projeto esse tempo todo e foi realmente algo especial.

Seguiu o guião à letra ou deixou surgir algum improviso?

Nós mudamos bastante algumas coisas antes das filmagens durante os ensaios dos atores. Eles imprimiram sempre algumas coisas, mas não de uma forma muito rígida. Claro que com apenas 17 dias para filmar não podíamos improvisar muito ou fazer muitas experiências. O que fizemos, muitas vezes, foi eliminar algumas linhas de diálogo que trocámos por alguns olhares.

Preferiu manter a filha do casal fora de cena. Queria com isso que o casal tomasse as decisões mais facilmente e sem a pressão da filha?

A razão dessa ausência prende-se com o facto de eu querer mostrar o casal completamente fora da sua rotina

A certo ponto, a Christine afirma que os jovens nos anos 60 pelo menos tentaram uma vida diferente. Acha que essa geração era mais forte?

Sim, tenho a certeza disso. Mas talvez fosse mais fácil ser forte pela distinção que existia com a geração dos pais. A maioria tinha pais que eram tudo aquilo que eles nunca queriam ser. Hoje em dia os pais dizem aos filhos que “tudo o que eles têm de seguir é o coração, pois este irá ajudá-los a encontrar o caminho».

Não podemos lutar contra isso. Acho que a Christine tinha mesmo razão.

Já tem um novo filme em mente?

Espero filmar na primavera de 2013. É baseado num fantástico livro do Markus Busch e baseado numa ideia minha. É sobre uma mulher que redescobre o amor do seu jovem filho após circunstâncias extraordinárias. Mas é um filme também sobre novos rumos na nossa vida. Desenrola-se numa classe alta alemã muito disciplinada e muito controlada. Esta mulher é uma daquelas que não saiu da esfera da família e dedicou toda  a sua vida a um marido e ao filho, sem nunca o questionar. 

Onde se vê daqui a 10 anos. Tem algum projeto de sonho?

Espero ainda estar a fazer filmes e mais frequentemente do que de cinco em cinco anos. O meu sonho é realmente trabalhar mais.

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