François Berléand: “O cinema americano comanda e dita quem são as estrelas 

(Fotos: Divulgação)

Com mais de 200 créditos entre cinema, tv e teatro,  François Berléand é uma verdadeira instituição em França, com presença em projetos como “Os Coristas” e a milionária franquia “Transporter” (Correio de Risco).

Presente em Locarno para a apresentar o seu mais recente filme, “Last Dance”, onde interpreta um viúvo que, para cumprir o desejo da sua falecida esposa, junta-se a uma trupe teatral, Berléand falou ao c7nema sobre esta experiência.

Quando se tem uma carreira longa e diversa como a sua, como se escolhe um papel nos dias de hoje?

Escolho sempre o papel que nunca fiz (risos). Todas as vezes são diferentes, mas este caso é particular. Foi a primeira vez que fui um avô no cinema (risos). Gostei disso. É engraçado, mas quando li o guião existiam três cenas que considerava fulcrais: aquela em que vou ao teatro e explico que a minha mulher morreu; a cena da biblioteca, da carta da minha mulher; e a cena da dança. No teatro já dancei, há muitos anos, mas ponderei bastante se o podia fazer aqui. Disse à realizadora que não sabia dançar, e ela respondeu que ainda bem pois teria de dançar mal (risos). Foi isso que me atraiu.

Além do mais, quando fui abordado a realizadora falou-me numa comédia. Porém, quando li o guião só vi um drama. Achei que tinha lido o guião errado (risos). Ele perde a sua esposa, sofre com isso durante todo o filme e faz o seu luto. Para mim, era um drama (risos). Reli o guião e refiz a minha ideia no filme. (…) Tive muito prazer em filmar as cenas engraçadas e as outras que exigiam um tipo de emoções diferentes. 

O quão importante é para si o filme estrear aqui, num grande ecrã? Faz diferença ou se fosse no streaming seria igual?

Hoje em dia em França, quando um filme estreia numa sala, nunca sabemos se vai ter público ou não. Pior: depois de tudo o que se passou com o Covid e o confinamento, as coisas mudaram de tal maneira que existem ainda 800 filmes que não foram ainda lançados nas salas e esperam uma oportunidade. 800 filmes!! Tenho outro filme para ser lançado brevemente, em 500 salas, que é muito, pois é uma comédia, mas nunca sabemos como será. Vamos ver…

E a chegada em força dessas plataformas mudou a profissão de ator de alguma forma?

Bem, eu não vejo filmes nas plataformas. Vejo séries, os filmes não me interessam. E mete-me confusão quem vêm filmes num smartphone, pois para quê ter um director de fotografia para ver assim as coisas. Quando vemos um filme no grande ecrã é outra coisa e temos salas muito boas. Sabe, não é caro ver um filme em França. Pagas 20 euros e podes ver os filmes que quiseres durante um mês. 

Quanto ao trabalho, é semelhante ao processo, mas tem algumas particularidades. 

Quão divertido e bom para a sua carreira foi a presença na franquia “Transporter”? Há hipótese de essa saga regressar?

Bem, o Jason Statham e Luc Besson zangaram-se, depois reconciliaram-se e ouvi dizer que o Besson trabalhou num guião. Foi uma experiência ótima para mim. Era alguém conhecido em França, depois de participar em cerca de 150 filmes, mas no mundo ninguém me conhecia. Com o “Transporter” foi incrível, isso mudou. Fui à África do Sul, à Rússia, ao Azerbaijão. E sempre que passava toda a gente falava disso. Até nos EUA foi incrível. Claro que é estranho, mas muito bom. O cinema americano comanda e dita quem são as estrelas. 

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