Amigos na vida real e amigos no cinema, Bernard Campan e Alexandre Jollien chegam às salas portuguesas com uma comédia em jeito de road movie, que une Louis Caretti, um agente funerário, e Igor, um homem deficiente, numa viagem até ao Sul de França para entregar o corpo de uma pessoa.
A sobriedade do agente funerário é abalroada pelo luz espiritual e otimismo geral de Igor, numa jornada de construção de uma amizade que os vai fazer perceber que entre eles não existem assim tantas diferenças. “O ponto de partida para este filme foi a nossa amizade, que começou há 18 anos.”, explicou-nos Bernard Campan em janeiro passado. “Foi uma conexão imediata, uma fraternidade que se estabeleceu imediatamente entre nós. A paixão pela espiritualidade foi algo que se tornou o centro da nossa relação. Depois disso, um amigo meu produtor, que trabalhou no meu primeiro filme, Phillipe Godot, disse que seria interessante fazermos um filme juntos. Um dos elementos mais interessantes da ideia de fazer o filme era o facto do Alexandre também querer atuar nele. Foi aí que a partir de dois atores que partilham uma amizade decidimos filmar duas personagens que partem numa aventura onde essa amizade está também em foco, sendo mesmo o caminho para uma liberdade interna, à alegria de viver. Mas mantivemos sempre o conceito de ficção, mesmo que a nossa amizade aterre no grande ecrã. “
Repleto de conversas filosóficas e existenciais, além de situações de muito humor, “O Que nos Une” é assinado igualmente por Bernard e Alexandre. “O que me apaixona quando faço um filme é o que é que quero transmitir”, explicou Bernard, acrescentando que quando faz um filme pensa sempre muito naquilo que quer transmitir. “Não tivemos propriamente inspirações cinematográficas para este filme, acima de tudo as coisas vieram da nossa relação e do humor que há nela. Tudo foi construído a partir do que somos”.
Já o suiço Alexandre Jollien, que possui paralisia cerebral como no filme, é filósofo e escritor no seu dia a dia. Sobre a abordagem filosófica do filme, ele reconhece: “É difícil falar de filosofia sem que se faça uma caricatura dela. Gosto muito da tradição antiga que diz que antes de tudo, a filosofia é uma arte de viver. (…) Falamos de grandes temas do domínio espiritual, da morte à sexualidade. A nossa bagagem cultural ajudou a que tudo fluísse de forma natural. Um filme não é um livro, por isso a abordagem filosófica tinha de ser diferente”.

