NOS4A2: Zachary Quinto, o “Drácula das Estradas”

(Fotos: Divulgação)

NOS4A2 (Nosferatu), a nova série do AMC, estreia dia 3 de junho

Creio que é uma série original, assustadora, de certa forma engraçada, e uma exploração de personagens únicas, complicadas e multidimensionais“. Estas foram as palavras Zachary Quinto, numa visita a Lisboa para promover NOS4A2 (Nosferatu), uma nova série de cariz fantástico entre o drama e o horror que vem tentar conquistar o seu passono mundo da TV.

Na série, que estreia no canal AMC no dia 3 de junho, Zachary é Charlie Manx, um sedutor imortal que se alimenta das almas de crianças e que no fim deposita o que resta delas em Christmasland, uma cidade de Natal gelada, produto da sua imaginação, um local onde todos os dias é Natal e a infelicidade é considerada um crime. Contudo, Manx vê o seu mundo ameaçado quando Vic McQueen, uma jovem na Nova Inglaterra (Cummings), descobre que possui um perigoso dom.

Descrevendo Charlie Manx como alguém com a “alma ferida (…) negligenciado e abusado na infância“, Zachary abordou a sua transformação física, que implicou um longo processo de caracterização diário (que durava de 45 minutos a 4 horas), com um “faz parte do trabalho“. E apesar de nem sempre ser muito confortável ter de lidar com isso, o ator considera que no final o resultado foi extremamente recompensante. O mesmo se aplica à transformação da sua voz, que não contou com qualquer efeito criado por computador: “Treinei na escola de teatro, aprendi a modificar a minha voz. [As alterações] não trouxeram nenhuma consequência/problema à voz. (….) foi divertido (…) Foi um desafio mostrar que cada fase da personagem era específica e que conseguiria devolver a especificidade de cada uma dessas fases quando era exigido. A voz fazia parte disso. Refletia o tempo que eu tentava retratar“.


Nas fases mais envelhecidas, o trabalho de caracterização de Zachary Quinto demorava até quatro horas

O ator, que conhecemos de séries como Heroes e filmes como Margin Call e Star Trek, disse ainda que aceitou participar no projeto porque gostava da transformação que era exigida pelo papel, e pelo facto de ter de “imergir numa personagem e desaparecer [no papel] através da sua fisicalidade, da sua evolução e psicologia“.

O que me agrada é interpretar personagens interessantes e complexas”, sendo secundário se elas são “boas ou más”, disse, acrescentando: “O Charlie é o terceiro vilão que interpreto, mas todos eles foram bem sucedidos anteriormente, geraram muita atenção, quer sobre mim, quer sobre os projetos. Obviamente que há algo que funciona nesses papéis, há algo em mim que encaixa bem neles (…) mas sinto que existe uma continuidade (…), como se o Sylar (de Heroes) tivesse começado uma jornada que o Charlie (de Nos4a2) completa“.

Baseado no best-seller de Joe Hill (filho de Stephen King), que o próprio descreveu como um “Drácula das Estradas Interestatais” nos EUA, a série de 10 episódios conta com Jami O’Brien como showrunner: “[Hill] é o nosso produtor executivo e está muito envolvido naquilo que criámos (…) Apoiou muito à distância. Ele confiou muito na Jami e tiveram muitas conversas antes de iniciarmos a produção. Na verdade, só o vi nos sets de filmagens um par de vezes e foi sempre agradável e simpático, deliciado com o seu mundo a ganhar vida“.

Trabalhar com o restante elenco

Zachary afirmou que passou a maior parte do tempo das filmagens com Ólafur Darri Ólafsson, alguém que descreve como “uma pessoa fantástica, um ótimo ator, com um espírito muito generoso e alguém maravilhoso para trabalhar“. “Isso foi ótimo, particularmente porque passamos muito tempo juntos naquele carro (…) adorei trabalhar com ele. Ele é muito famoso no seu país, a Islândia, e trabalhou em filmes lá e também em Hollywood. Quando tive de trabalhar com o restante elenco, foi igualmente agradável. Adorei a Ashleigh [Cummings], muito talentosa e alguém que devemos manter debaixo de olho, pois ela veio para ficar. Toda a gente na série foi ótima.

Novos projetos

Quinto admitiu que “adoraria” e que tal seria “fantástico” se realmente Quentin Tarantino trabalhasse na saga Star Trek, como nos últimos tempos se tem especulado. Para além disso, o ator espera que NOS4A2 tenha continuidade e explica que tem a sua agenda bem definida caso isso aconteça: “Quando assinamos com uma série de TV, comprometes-te durante um certo período para o caso dela ter continuação. Tomamos essa decisão antes [de assinar]. Por isso, construí a minha agenda a pensar nisso. Como tal, voltarei a novas histórias [de NOS4A2] se elas existirem, e participarei noutras também“.

Outro projeto que Zachary tem em mente é uma outra série, Biopunk, ainda numa fase de desenvolvimento, mas que neste momento o ator diz estar num estado “dormente“:”Tenho uma empresa de produção e desenvolvo muitos projetos que estão em vários estágios: pré-produção, etc. Esse projeto não está ainda aí, mas espero que venha a estar pois é uma história muito boa“.


Zachary Quinto

E planos para realizar uma série ou um filme? Zachary diz que adoraria experimentar a realização, mas não tem – atualmente – planos para isso: “Tem a ver com o encontrar a história certa, sentir uma conexão e inspiração com o projeto certo. Espero que um dia realize. Estou num ponto da minha carreira em que gostava de experimentar outras coisas para além da atuação. Tenho uma vida robusta como produtor, por isso vamos ver como as coisas evoluem“.

E agradava-lhe ser, por exemplo, showrunner de uma série? “Talvez. É um trabalho muito intenso, não sei. Prefiro a flexibilidade de outros aspetos desta arte (…) e penso que ser cineasta se enquadraria melhor com o meu estilo de vida“.

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