Não muito diferente do conceito do filme “Skin”, que no ano passado chegou aos cinemas nacionais, em “Burden” seguimos a história de um homem (Garrett Hedlund) que abandona um grupo de supremacistas brancos (do Ku Klux Klan) e que entra numa espiral de redenção inspirado pela relação amorosa que tem e pela necessidade de se afastar do ódio que lhe foi ensinado ao longo da vida.
Esse homem é Mike Burden, que curiosamente carrega o fardo (Burden em inglês) do legado familiar ligado aos supremacistas, que numa pequena cidade adquirem um cinema com um passado de segregação racial e o transformam no primeiro museu do Ku Klux Klan.
Carregado de interpretações marcantes (Tom Wilkinson e Forest Whitaker em particular), mas vincadas no mimetizar as personagens reais que a inspiram, “Burden” movimenta-se pelos habituais terrenos dos chamados filmes “white savior”, mas ao contrário de “Skin” ou até de “Green Book”, o trabalho de Andrew Heckler na direção trilha por todos os caminhos comuns da técnica e estética, agindo entre o videoclipe romantizado e a fábula moralista que efetivamente não acrescenta nada a uma história que já se podia ler em livro (Burden: A Preacher, a Klansman, and a True Story of Redemption in the Modern South) ou em vários artigos jornalísticos por essa internet fora.
Por tal, “A Burden-Redenção” é apenas uma tradução, reciclagem visual e sonora dessas histórias já exploradas na escrita, não tendo qualquer ponta de personalidade ou algo que a transforme em algo distinto como objeto cinematográfico. E se é socialmente importante, especialmente em tempos de Black Lives Matter, e espiritualmente desafiante, como mecanismo audiovisual é completamente desprovido de alma e meramente movido a algoritmos e clichés técnicos (fotografia, montagem, banda-sonora) e narrativos.















