«Skin – História Proibida» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Filme morno de redenção, mascarado subtilmente por elipses (Widner no processo de remoção das tatuagens) que emocionalmente conduzem o espectador para uma história que tinha muito mais para dar do que o ser apenas um “crowd pleaser” passageiro de mensagem humanitária.

Enquanto mantinha uma relação à distância com a sua atual esposa, Guy Nattiv estava num café em Israel quando uma história num jornal chamou-lhe a atenção. Essa história era a de Bryon Widner, um “filho” da educação extremista que se transformou num supremacista branco tatuado da cabeça aos pés que mais tarde entrou num processo de redenção, que o levou a colaborar com as autoridades para travar vários crimes de ódio. Essa história inspirou Nativ a avançar para uma curta-metragem, a qual viria a ser galardoada com um Oscar. Depois disso, avançou-se para uma longa, aprofundando e dando um novo toque ao seu Widner, magistralmente interpretado por um Jamie Bell que por mais papéis interessantes que tenha (aqui, em Snowpiercer, Ninfomaníaca, e Querida Wendy) parece que nunca vai conseguir descalçar as sapatilhas do Billy Elliot que o popularizou.

Construído de maneira formal, por vezes demasiado académica (um “Oscar Bait” com todas as regras tatuadas no guião), a este Skin falta um verdadeiro chafurdar na lama no mundo dos grupos de supremacia branca, um verdadeiro murro no estômago no processo de transformação, sendo inevitável chamar para aqui American History X, até porque o percurso redentor de Wiedner tem semelhanças ao de Derek Vinyard (Edward Norton), ou até os mais recentes Burden (2018), que segue um órfão criado pelo Ku Klux Klan que acaba por se apaixonar por uma mãe solteira que o convence a deixar a organização para trás; e Best of Enemies (2018), onde Sam Rockwell deixa também o Ku Klux Klan (onde era Grand Wizard) e torna-se amigo da ativista negra Ann Atwater (Taraji P. Henson).

A questão é que num guião pouco incisivo e que joga demasiado pelo seguro, são Bell, Farmiga e especialmente Danielle Macdonald (de Patty Cake$) que conseguem elevar o toque rotineiro e previsível que o guião de Nativ evoca. Um guião demasiado simples, terreno e daqueles que se preocupa apenas em passar a mensagem sem realmente abordar as questões de forma verdadeiramente complexa e ambígua. A simplicidade desse guião é depois replicada pela realização, incapaz de elevar o filme para além da mediania.


Jorge Pereira

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