«Love The Coopers» (Os Coopers são o Máximo) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

A época natalícia é muitas vezes resumida à palavra “família”. Não é por isso surpreendente que o cinema espelhe esse sentimento ano após ano, via obras que pretendem ter o selo “para toda a família“. Por um lado, há sempre uma tentativa de corte e colagem das famílias do ecrã às nossas próprias famílias, com alguma lamechice e humor à mistura. Por outro, há sempre uma ambição, mais ou menos óbvia, da comédia do natal presente se tornar um padrão futuro de visionamentos, como It’s a Wonderful Life (Do Céu Caiu Uma Estrela) ou Meet Me at St. Louis (Não Há Como a Nossa Casa) ainda o são, 70 (!) anos depois.

Entrar em 2015 na sala para ver Love The Coopers (Os Coopers são o Máximo), a reunião da família disfuncional norte-americana da quadra (ou “a comédia deste Natal” como diz de forma tão arrogante a publicidade) e esperar um novo clássico natalício é um grave caso de má gestão de expectativas. Isto não é Frank Capra ou Vincente Minelli, que fique desde já assente.

Mais um cartão de natal fácil de ver que um filme bom, também não é o apocalipse que alguns quiseram pintar. É simplesmente frustrante. Frustrante porque emprega um conjunto de atores de lista A (Diane Keaton, John Goodman, Alan Arkin, Steve Martin na narração, entre outros) e coloca-os a dar profundidade a… cartões, facilmente bem cortados nas suas supostas imperfeições, que no final se voltam a juntar de uma forma fácil e previsível. Porque é Natal, claro está, e por volta da meia-noite, tudo volta à tranquilidade. Claro que esta tem sido sempre a premissa de todos os filmes “natalícios” desde que o cinema é Hollywood, mas é preciso momentos memoráveis e “fora da caixa” e personagens tridimensionais (e argumentos que as criem!).

Jessie Nelson – que já não realizava um trabalho desde o igualmente otimista I Am Sam (A Força do Amor) de 2001, tenta ainda sair da casca e ligar aqui passado e presente das personagens e da memória natalícia e cinematográfica do próprio espectador. É uma tentativa nobre, mas cuja verdadeira intenção artística soa falsa e não ajuda de todo à tese de que estamos perante pequenos apanhados de características estereotipáveis a tomar forma de personagens, face ao que foi dito já acima. A não ser que a mensagem de “Coopers” seja, para além do padrão “todas as famílias são disfuncionais, mas no fundo no fundo, não há melhor que a nossa”, também: “a nossa vida dava um cartão de Natal para colar no frigorífico”.

Infelizmente, tamanha honestidade com a audiência arruinaria por si só esta quadra. Contudo, se souber minimamente ao que vai, pretender matar um par de horas, e quiser fixar mais o nome de Olivia Wilde, haverá propostas bastante piores em cartaz…

O melhor: o clima até mais sóbrio que o esperado, fruto de um bom elenco.
O pior: o desperdício desse elenco num mau argumento.


André Gonçalves

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