
Mark Osborne, realizador de Kung Fu Panda, traz de volta ao grande ecrã uma nova adaptação, desta feita do clássico mundial de Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho. O autor do livro, que era também aviador, despenhou-se um certo dia no deserto do Sahara, decorria o ano de 1935, ao tentar bater um recorde de velocidade. Os vários dias que levou até ser salvo e as alucinações por que passou nesse período serviram de inspiração para um dos romances mais adorados do século XX.
Não se trata duma adaptação direta da obra, talvez porque o matéria original é relativamente curto para uma longa-metragem, ou mesmo ligeiramente abstrato, para uma adaptação fiel, mas Osborne juntou-se a Irena Brignull e Bob Persichetti para construírem o guião, tornando-o numa história dentro de outra história.
A nossa heroína (Mackenzie Foy) é uma miúda que faz os possíveis para seguir à risca o plano de vida que a mãe (Rachel McAdams) traçou para ela. Quando se mudam para o novo bairro com o objetivo de ingressar num colégio de elite, a miúda torna-se amiga do vizinho do lado, um velho excêntrico conhecido como o Aviador (Jeff Bridges) que lhe apresenta o icónico livro, como uma aventura que ele próprio experienciara quando era novo.
O filme teve estreia em Cannes nas versões francesa e norte-americana, com um cast vocal totalmente diferente para cada versão, mas a visão artística de Osborne é claramente marcada pela cultura americana e mais inclinada para o público do “tradicional” 3D. Contudo, e é aqui que se dá o grande passo estilístico do realizador, enquanto que o “presente” nos aparece retratado no famoso CGI, como o grosso da animação contemporânea das grandes majors, a história do livro é-nos apresentada num impressionante stop-motion, com figuras estilizadas numa cor viva, em papel quebrado e enrugado, onde ganham vida as fantásticas ilustrações do livro de crianças. Aos atores supracitados, juntam-se nomes como Benicio Del Toro, Marion Cotillard, James Franco, Paul Rudd e, os aqui imprescindíveis, Ricky Gervais e Albert Brooks.
No global traduz-se num bom filme, com os elementos habituais da animação familiar que vai mais de encontro ao que a história original pode produzir no leitor, em detrimento da exposição da narrativa em si. Irá com certeza gerar as mais diversas opiniões e alguma relutância nos fãs mais fervorosos da obra, sobretudo se não estiverem à espera de uma adaptação bem livre.
O melhor: as sequências em stop-motion.
O pior: o facto da história original ser tratada em segundo plano.

Beça Gradiz

