
Inicialmente com título Adam Jones e mais tarde alterado para Burnt cuja tradução à letra significa queimado, À Procura de Uma Estrela é o novo filme protagonizado por Bradley Cooper. Adam Jones é um chef de cozinha gourmet que destruiu a sua carreira após enveredar pelos ruinosos caminhos do álcool e das drogas. Quando recuperado, espera regressar às luzes da ribalta a obter uma terceira estrela Michelin. Para tal, viaja para Londres na esperança de abrir um restaurante em seu nome.
À partida a impressão que temos é que o novo filme de John Wells (Um Quente Agosto) é parente de Guia para um Final Feliz (2012), de David O. Russell, nem que seja pelo mesmo intérprete e premissa – a necessidade de um homem recompor a sua vida e, por conseguinte, a presença de uma mulher que despertará o seu interesse, Hélène (Sienna Miller, com que Cooper contracenou em Sniper Americano).
Insistentemente enigmático, Adam Jones oculta situações de um passado que não se esclarece por completo. O paradigma instala-se quando ele exige um conjunto de homens e mulheres a trabalhar para si, mesmo sabendo que tem dificuldade em se relacionar com os outros. A situação é concebida como numa demanda, traduzindo a habilidade em reunir cozinheiros com poderes inimagináveis.
De todo, o enredo vale pela perspicácia em filmar atentamente os cozinhados, despertando não apenas apetite no espectador, mas também uma certa identidade cinematográfica. No ambiente enfático do restaurante persiste um elo que nos é familiar. Se Adam Jones é o líder, sinónimo do realizador de cinema, Hélène é a sua musa – fazendo de tudo para manter uma vida estável e conciliar o emprego com o facto de criar a sua filha sozinha. Tony (Daniel Brühl), um dos conhecidos de Jones, é o produtor dos seus projetos – encarado como o seu melhor ou pior amigo. Ainda há tempo para conhecer um jovem que conhece os trabalhos do chef, David (Sam Keeley), entendido no processo como um simples figurante, mas que no final acaba sempre por captar a atenção. Dentro destas comparações, a mais inteligente talvez seja a dos inspetores que atribuem as estrelas Michelin ao papel do crítico de cinema, que é obrigado a apreciar o filme sobre moldes mais ou menos rigorosos.
Embora algumas presenças sejam breves e insatisfatórias, o elenco é de peso. Outros elementos como Michel (Omar Sy), Max (Riccardo Scamarcio), Reece (Matthew Rhys) e a Doutora Rosshilde (Emma Thompson) mantêm a narrativa fluída. Não esqueçamos, nos aspectos técnicos, a metódica montagem, vestígio da pressão dos produtores-executivos os irmãos Harvey e Bob Weinstein, cujo nome na indústria de Hollywood é sempre sinónimo de galardões.
Sintetizando, seja peixe ou carne aqui está uma receita a seguir. Na leitura do menu qualquer nota é apenas um acessório porque À Procura de Uma Estrela é tal e qual a outros pratos – primeiro há que saborear.
O melhor: A harmonia entre os planos de comida e os diálogos.
O pior: A vulgaridade de algumas cenas.

Virgílio Jesus

