«Hyena» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Híbrido com o pé quase todo fincado fora dos quadrantes terríficos, ainda que este se manifeste em algumas visitas do gore e da violência psicológica. Michael (Peter Ferdinando) é um policial corrupto que, junto a mais três colegas, dedica-se a alguns crimes, com particular afinidade pela extorsão. As coisas complicam-se quando passa a ser investigado e é removido para um setor onde tem um velho desafeto como chefe. Pelo meio misturam-se as vidas de imigrantes balcânicos, escravatura sexual, tráfico de entorpecentes e uso de drogas a rodo.

O cinema inglês vem experimentando viscerais e sólidos investimentos na brutalidade e na corrupção policial (caso de Filth, por exemplo) – apresentando aqui um nível de imoralidade pouco associada à Inglaterra “civilizada”. Com câmara na mão e uma Londres pouco reconhecível pelos turistas, o realizador Gerard Johnson mergulha fundo na denúncia social e numa narrativa marcada por uma secura desapiedada.

Vem daí que o terço final surge com um tom emocional incompreensível para um filme cuja opção até lá tinha sido o da dureza: diante dos acontecimentos que desencadeia e dos dilemas que enfrenta o policia sucumbe a um sentimentalismo forçado e, por vezes, bizarro.

O MELHOR: uma narrativa eficas sobre corrupção policial
O PIOR: o terço final sentimental


Roni Nunes

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