Obra numa certa tradição tailandesa de horror, focada nos jovens como protagonistas e público-alvo. O filme centra-se num trio de nadadores – dois deles interessados na mesma adolescente. Quando esta sai de cena, inicia-se um jogo de gato-e-rato enquanto um deles investiga o acontecido. O terror vem, no entanto, das efemérides psicológicas do “presumível culpado”, lidando com aparições que remetem a sustos tanto previsíveis quanto improváveis (e desprovidos de lógica, como a cena onde o protagonista empurra um cadáver “materializado” pendurado na porta da cozinha).
Entre os caminhos por diversas vezes trilhados pelos norte-americanos, The Swimmers traz, no entanto, um trabalho apurado a nível de argumento – com um cuidado no desenvolvimento dos personagens e com um ritmo pausado que lhes dá, justamente, espaço para lidar com as suas questões. A produção geral, o cuidado na banda sonora e na composição visual são menos comuns do que deviam em terras yankees. Mas é quando pedaços (literalmente) de “body horror” metem-se lá pelo meio, incluindo uma bizarra sugestão cronenbergiana de gravidez masculina, é que o filme se distancia de uns tantos da concorrência.
Tal, como The Last Summer, o representante tailandês do Motelx no ano passado, a graça no novo trabalho de Sophon Sakdaphisit (Ladda Land)está no jogo poeniano em que os signos visuais são utilizados para refletir o mal-estar interior, trazendo mais uma variação de “crime e castigo” que parece agradar os cineastas tailandeses. Neste sentido, o final é uma antítese perfeita das punições fáceis dos moralismos habituais – expondo antes, e de forma mais subtil, um “vencedor” que nada tem a comemorar.
O Melhor: terror teen com atenção à construção da história e dos personagens; as bizarrices a body horror
O Pior: as dificuldades em se sobressair num caminho demasiadas vezes trilhado

Roni Nunes

