
Num ano populado já por inteligências artificiais com os mais diversos propósitos, Robots Overlords é infelizmente um dos mais sofríveis, tão robótico como as máquinas que retrata.
As máquinas invadiram a Terra com o propósito de nos estudar, numa guerra que durou apenas 11 dias. Após esse tempo, os humanos estão impedidos de sair de casa, tendo “voluntários” (humanos com liberdade para se deslocar) para os “ajudar”, e tendo chips eletrónicos que lançam alerta vermelho caso estes tentem escapar…
Podendo ser visto quase como uma tentativa britânica de lançar o seu Transformers (com orçamento visivelmente menor), o filme tem claramente uma vertente familiar bem vincada, onde não falta o “pai ausente” (desaparecido em combate) – o mote para jogar um quarteto de jovens e a mulher numa busca pelo seu paradeiro, e para uma revolta final contra as máquinas maléficas.
Se tudo isto até não começa muito mal, com a descoberta de que os chips podem ser desativados a ser o momento mais surpreendente em toda a película, o caminho a partir daí é sempre a descer, com problemas graves de credibilidade e de narrativa em modo “piloto automático”, com espaço na sua “curta” duração de menos de hora e meia para uma introdução espalhafatosa do interesse romântico (?) e do que se pode chamar de “complexo Neo”. E desperdiçar o talento de Gillian Anderson e Ben Kingsley (pela enésima vez) já devia dar multa a esta altura do campeonato…
O melhor: a curta duração.
O pior: a previsibilidade e a queda completa no ridículo.

André Gonçalves

