
Cinco anos após a morte do seu marido, Nikki cruza-se com um sósia deste e apaixona-se de novo. Mas será esta nova paixão verdadeira ou uma mera necessidade egoísta de manter o grande amor da sua vida por perto?
Chega-nos com dois anos de atraso, mas ao menos chega até às nossas salas, e merece. Segunda-longa metragem do israelita Arie Poisin (quase uma década passada sobre a sua estreia no muito estimável “The Chumscrubber“!), A Face do Amor é um melodrama de raízes clássicas e toques cómicos mais modernos atuando num largo espectro que vai de Nancy Meyers a Douglas Sirk. A sua trama, sendo peculiar q.b., parece-nos familiar. Isto porque o cinema já se encarregou, ao longo da sua história, de ruminar precisamente sobre este tema do luto via transferência, de uma forma mais ou menos sobrenatural.
O mistério e o sobrenatural, apesar de omnipresentes, não interessam tanto a Poisin aqui. O realizador e coargumentista optou por destilar a narrativa do acessório, numa hora e meia bastante económica. Aqui o amor e a luta contra o luto tomam lugares centrais. Para diferenciar dos demais títulos, apoia-se – e muito bem – no trabalho dos seus atores: Annette Bening e Ed Harris, magníficos com o que se lhes dá e dando sempre o extra-“gravitas” às suas personagens, como tão bem/mal nos habituaram. A acompanhá-los está um já falecido Robin Williams, aqui numa das suas derradeiras performances. Como este trio junto soma um belo total de 1 Oscar, no meio de uma dúzia de nomeações, é um dos sinais de que a Academia falhou muito no seu passado.
A Face do Amor é portanto mais um filme de atores para atores, românticos incuráveis e donas de casa que um filme tecnicamente perfeito que inspire futuros cineastas. Mas isso não significa que não seja um filme competente no que se propõe a fazer, e que irradia luz pelas suas imperfeições.
O melhor: Annette Bening e Ed Harris.
O pior: alguns momentos mais forçados.

André Gonçalves

