«August: Osage County» (Um Quente Agosto) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Do cinema anglo-saxónico chegam-nos sempre os maiores e melhores desfiles de celebridades mundiais, mas de tempos a tempos, chega-nos um autêntico circo, na melhor assumpção do termo. Uma obra, oscarizável, capaz de não ter medo em cair no ridículo e oferecer-nos o espetáculo completo – as lágrimas e os risos, muitas vezes na mesma tomada, deixando-nos em estado de desconcertação total, entre o ser ou não ser “camp“, e no meio disto tudo, o maior dos profissionalismos técnicos. Lembro-me assim de repente de Diários de Um Escândalo de Richard Eyre como termo de comparação a este August: Osage County, do igualmente competente John Wells – não deixa de ser curioso notar que ambos os realizadores saltaram de longas carreiras na TV para o cinema. A grande diferença recai aqui na nacionalidade: Eyre é britânico e Wells é americano.

Dotado daquele que é muito provavelmente o melhor elenco do ano, o filme, adaptado da peça homónima de Tracy Letts pelo próprio Letts (que aqui confere o espaço suficiente para que o espectador mais desatento nunca se aperceba da origem da obra), narra uma reunião familiar, marcada pelo desaparecimento do chefe de família, e pelo cancro da matriarca (Meryl Streep, a fazer de “má da fita” como só ela sabe). Ao longo de um par de dias, verdades e segredos são revelados em catadupa, tendo como foco central uma das filhas da família (Julia Roberts, a mostrar de novo quem manda – aqui literalmente, num clímax inesquecível) e cabe ao espectador recolher-se no sofá ou cadeira e apreciar todo o espetáculo em toda a sua glória, bater palmas se preciso, e no final sair com uma lágrima ao canto do olho.

Para além de Streep e Roberts, as duas nomeadas aos Oscars, temos aqui as contribuições igualmente importantes de Julianne Nicholson, Chris Cooper, Margo Martindale, Sam Shepard, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Misty Upham, Dermot Mulroney e Benedict Cumberbatch. Ainda por convencer?

O melhor: O elenco e a boa resolução da narrativa
O pior: Não ser levado a sério.


André Gonçalves

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