
A internacionalização cada vez maior do capital e do know-how vai levando a um aparecimento de exemplares de cinema comercial cada vez mais eficientes fora dos Estados Unidos. O que, em si, não é bom nem mal: tudo depende daquilo que se consegue fazer dentro de fórmulas que sofrem cada vez mais com o seu próprio desgaste. Futbolín (ou Metegol do título original), obra baseada no jogo de matraquilhos, é a primeira animação em 3D feita na Argentina (que em Portugal chega em 2D) e investe de forma bastante eficaz na adaptação dos parâmetros do género.
O território é mais do que conhecido. O herói, o frágil e sonhador Amadeo, que não consegue amadurecer e passa a vida a jogar matraquilhos, apaixonado pela forte e decidida Laura, terá de sair da sua habitual pachorrice para defender a sua aldeia (e impressionar a sua amada) quando uma desagradável estrela mundial do futebol volta para se vingar da única derrota que alguma vez teve – justamente para Amadeo. Para auxiliá-lo, vai contar com os jogadores do seu desporto favorito que, subitamente, ganham vida.
Daí para a frente, a história nunca deixa de circular por rotas já muito familiares aos espectadores habituados à animação made in USA. O filme surpreende, neste sentido, por não deixar nada de fora: um visual apurado, grandes cenas de ação (como a da montanha russa) e até uma banda sonora hollywoodiana.
Como um todo, beneficia de uma temática original, para além de umas tantas citações muito divertidas, entre as quais duas a Apocalipse Now e uma abertura muito engraçada a parodiar 2001 – Odisseia no Espaço. Os personagens são bem delineados e os conflitos e personalidades dos jogadores animados também têm a sua graça. Se alcança a façanha de, por um lado, não ficar nada a dever aos modelos, por outro também não lhes acrescenta muito.
O Melhor: é globalmente eficaz e divertido
O Pior: navega em territórios demasiado explorados, sem acrescentar muito

Roni Nunes
(Críticas originalmente escrita em novembro de 2013)

