Imaginem o seguinte: um dealer que quer atravessar a fronteira do México com os EUA com um carregamento de cerca de duas toneladas de “marijuana”. Para o conseguir, ele utiliza o disfarce perfeito – uma simples e estereotipada família de férias na sua R.V. – uma stripper, uma delinquente e um jovem ingénuo e virgem, são os seus peculiares cúmplices neste arriscado golpe. Com isto tudo, podemos afirmar que grandes das comédias norte-americanas destinadas às massas têm por vezes uma ideia inicial no mínimo hilariante e original, isso é um facto, mas o pior que se pode verificar no caso deste novo filme de Rawson Marshall Thurber (Dodgeball), é que a premissa funciona apenas como uma … premissa. Uma ideia rascunhada que logo cedo se verte como um conjunto oleado de clichés (Jennifer Anniston já é por si um cliché), os habituais lugares-comuns, a fraca estrutura de que são compostas as personagens secundárias e o já “pecador” moralismo que tem como tendência de metamorfosear irreverência com o politicamente correcto. Esta Trip de Família até não é das “piores” comédias que surgiram por aí, mas em tudo um exemplo mecanizado, ocasionalmente divertido quando acerta o alvo com os seus gags, mas facilmente esquecível. Uma fita que joga pelo seguro, onde o leque de personagens algo marginais, algumas dos quais promissoras, cedem ao teor de filme de família e às moldadas articulações da comédia romântica.
Porém, nesta Trip de Família dou-me por vencido num termo: Will Poulter compõe uma personagem divertida, uma impagável sátira ao estereotipo do adolescente virgem que tanto os americanos adoram “dramatizar” nos seus “embriões” de American Pie; e o secundário Nick Offerman, que rouba qualquer cena em que surge. Em suma, este é um divertimento passageiro com claro objectivo para as massas, mas não passa disso. Só tenho pena que com uma ideia destas, Trip de Familia poderia soar num exemplar mais rebelde e claro, hilariante (pelo menos o bloopers no final assumem tal papel). Pelo menos, não envolve R.Vs com Robin Williams!
O melhor – A ideia e algumas personagens secundárias
O pior – O desenvolvimento da ideia e os habituais lugares-comuns e clichés

Hugo Gomes

