Refn foi uma das mais carismáticas passagens por Cannes este ano, tal foi a legião de abandonos que provocou na sessão oficial. Por certo, uma reação à catarse de violência que supera em muito o lado mais gratuito de Drive, talvez até por alguns fãs descrentes desta nova reunião de Refn e Gosling.
Não sabemos mesmo se deus lhe perdoará, mas algo em nós dá-lhe crédito pela ousadia de encenar tal espetáculo macabro em Banguecoque supostamente baseado num pesadelo.
Ryan Gosling é o proprietário de um clube de Muay Thai com o seu irmão (Tom Burke), que serve apenas de montra para o negocio de droga. À cena de ultra violência misógina protagonizada por Burke, responde a máfia local com o seu brutal assassínio, o que despoleta o programa de vingança de um monstro com o rosto doce de Ryan Gosling.
É aqui que entra em cena a mãe, num papel de verdadeira bitch from hell encarnada pela magnífica Kristin Scott Thomas. Muito se falará da cena final em que filho e mãe se encontram na mais íntima cena, mas para isso há que ver o filme até final. Mas desde já avisamos, there will be blood…

Paulo Portugal

