Nunca é um bom sinal quando um filme começa a estrear em vários pontos do mundo sem ter estreia marcada para o mercado americano. E tal como o seu personagem principal, o filme para ter sido igualmente expatriado dos Estados Unidos. O filme começa de forma muito atabalhoada. Estamos em Antuérpia e há um pai e uma filha adolescente que obviamente se conhecem mal. Ele quer discutir as notas delas, o que implica que já lá estejam há algum tempo. Ela diz-lhe que não bebe leite de vaca, como se tivesse chegado naquele dia. A intenção de estabelecer o tom de distanciamento entre ambos pode até ser louvável, mas a cena inicial desafia a inteligência do espectador.
Quem conseguir aguentar os primeiros trinta minutos deste filme, bastante desorientados face ao produto final, conseguirá ter alguma recompensa com o que vai ver dai em diante. Bebendo imensas inspirações de filmes como os da saga Bourne e até do primeiro “Taken”, “O Expatriado” conta a história de um homem que de um momento para o outro percebe que a empresa para a qual trabalhava, e que desapareceu do dia para a noite, era uma gigante farsa. A partir daqui pai e filha começam a ser perseguidos por uma organização que os quer eliminar, como pontas soltas da sua suposta hierarquia.
Quando o filme finalmente entra nos eixos, embora sempre carregado de clichés do género, consegue ter alguma tensão e sequências interessantes. O pior é nunca se definir entre filme de ação ou thriller, ficando a meio caminho entre os dois, sem ser particularmente eficaz em nenhum. Os papéis principais ficam a cargo de Aaron Eckhart e Liana Liberato, a jovem revelada em “Trust”. Ambos têm atuações esforçadas face ao fraco dramatismo das suas personagens.
Embora consiga desprover Olga Kurylenko de que qualquer “sex-appeal”, a realização do alemão Philipp Stölzl é eficaz em alguns momentos de ação, mas nunca consegue elevar o filme além da banalidade. Sobretudo imposta pelo argumento pouco inspirado assinado pelo estreante Arash Amel, cujo próximo argumento é (pasme-se) a biografia de Grace Kelly em “Grace of Monaco”.
Por isso, “O Expatriado” pode ser um produto de ação para entreter durante hora e meia, mas que desaparecerá da memória com igual rapidez.
O Melhor: Mesmo assim Aaron Eckhart.
O Pior: A primeira meia hora é demasiado atabalhoada.

Carla Calheiros

