Os produtores de várias comédias britânicas bem-sucedidas, como “Notting Hill”, “O Amor Acontece” e “O Diário de Bridget Jones” acharam que era boa ideia dar uma sacudidela no género trazendo para contar uma história de troca de casais o argumentista de “Borat” e “Bruno”, Dan Mazer – aqui a estrear-se como realizador.
Pode ser um tiro no pé: tanto o humor sexualmente explícito pode ser demasiado agressivo para fãs de comédias românticas, quanto os apreciadores das piadas rudes dos filmes de Sacha Baron Cohen pouco interesse terão nos desenvolvimentos de uma tola história de encontros e desencontros. Mas em pior situação está mesmo quem não tem especial empatia por nenhum dos dois estilos.
Ninguém sabe o que levou Josh (Rafe Spall) e Nat (Rose Byrne) a unirem-se nos sagrados laços do matrimónio depois de apenas sete meses de convivência. O resultado foi uma dura luta para manter essa união nos meses a seguir, onde às descobertas dos defeitos do outro são acrescentados assédios antigos – a relação mal resolvida entre Josh e Chloe (Anna Faris) – e novos – o direito que Nat subitamente tem de viver o seu próprio romance de cordel, quando um rico e charmoso industrial, Guy (Simon Baker), se interessa por ela.
É complicado usufruir um filme onde não se consegue simpatizar com um personagem que toma dois terços dele. Por outras palavras, nunca se entende realmente como alguém se apaixonaria por Josh, mostrado como um parvo insuportável e constrangedor a maior parte do tempo – assim como também não se percebe que o que alguém veria de entusiasmante numa low profile exasperante como Chloe, construída como uma dócil militante de entidades caritativas que raramente sai do lodo onde habita para dizer algo de útil.
A coisa melhora no romance proibido entre Nat e Guy, cuja interação termina por ser a coisa mais perto da comédia, do romance e da verosimilhança que se encontra por aqui. Mas muito da imagem final do filme parece-se com a própria figura de Josh e das anedotas geralmente infames do seu melhor amigo, Danny (Stephen Merchant) – embora ainda se salvem algumas. Ou seja, é globalmente pateta e pouco inspirado.
O Melhor: a interação do par Byrne/Baker; alguns momentos cómicos
O Pior: o personagem de Rafe Spall
O Pior: o personagem de Rafe Spall

Roni Nunes

