Baseado no julgamento da Máfia mais longo de toda a história dos E.U.A., o mafioso Jack DiNorscio enfrenta várias acusações por si só, quando surpreende o tribunal ao defender-se a si próprio, sem recorrer a advogados.
Elenco
Vin Diesel, Peter Dinklage, Linus Roache, Ron Silver, Annabella Sciorra
Realizado por Sidney Lumet
Crítica
Presente no último Festroia, “Find me a Guilty” tinha três pontos de grande interesse. O primeiro era ver como está Sidney Lumet, o homem escolhido pela academia em 2005 para o Oscar Honorário. Este cineasta, mais conhecido entre nós por filmes como “Serpico”, “Equus”, “Network” e “The Verdict”, andava desaparecido da realização de longas metragens desde 1999, ano em que estreou o fracassado “Gloria” – responsável também pela queda de popularidade de Sharon Stone.
Outro motivo de interesse era ver até que ponto Vin Diesel – que substituiu Joe Pesci (a primeira escolha para o papel), abandonava o papel de herói de acção e das comédias infantis, e pisava terrenos mais dramáticos e com outras exigências.
Finalmente, o terceiro foco de interesse era a própria história em si, inspirada num período da vida dos nova-iorquinos onde o factor Rudolph Giuliani estava em claro destaque pela sua busca incessante em limpar o crime de Nova Iorque.
Assim, o que seguimos neste “Find Me Guilty” é a forma obsessiva como o gabinete do procurador procura incriminar uma poderosa família do crime, recorrendo a tudo o que podia, e caindo mesmo na sua ratoeira que ao longo dos anos preparou.
Mas o centro e alma deste filme é Giacomo DiNorscio (Diesel), um homem rude e simples, detido pelo tráfico de drogas, mas com um grande sentido familiar. E mesmo quando a “família” o despreza, Giacomo não olha a meios para mostrar o seu amor, não procurando denuncia-los apenas para ter uma redução da pena. No fundo, o que Giacomo parece explicitamente querer é voltar a ter o respeito de todos, e não olha a meios para isso, prescindindo mesmo de um advogado e defendo-se ele mesmo em tribunal.
E nesse aspecto, todo o mérito do poder de cativação que o filme tem vai para a sua personalidade, pois quando Giacomo está em cena, não existe absolutamente mais nada em que reparar. Diesel consegue assim ter um papel bem conseguido, ainda que mais por mérito de quem escreveu a sua personagem do que pelos seus dotes de dramatização.
Uma nota positiva também Peter Dinklage (o actor de “The Station Agent”) que consegue ser o único secundário a ter algum relevo.
Mas tudo isto, e por si só, não torna esta obra algo acima da média, especialmente porque as linhas com que ela se cose ao longo das sessões em tribunal não são muito interessantes, mesmo tendo em conta que a personagem de Diesel sempre nos poderá fazer rir com as suas interpelações em tribunal.
Naturalmente, Lumet não está isento de culpas, ainda que seja no argumento que o filme se perca mais. Ao não sair do básico, inofensivo e metódico, o cineasta não provoca grandes sensações no espectador, acabando acima de tudo por ser um trabalho banal e por vezes perdido em redundâncias ou nas piadas de Giacomo.
De qualquer maneira, e se gostam de casos de tribunal e mafiosos, e um tom que mais parece caricatural que real, este pode bem ser o filme que desejam ver. …..…5/10… Jorge Pereira

