“Ask The Dusk” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
 

 

Sinopse

O filme segue na primeira pessoa, Arturo Bandini, um escritor que a todo o custo procura inspiração para o seu próximo trabalho. É numa ida a um café, agastado pelo facto de estar bloqueado na escrita, que Arturo conhece Camille, uma empregada mexicana com quem vai assumir um relacionamento particular.

Elenco

Colin Farrell, Salma Hayek, Charlie Hunnam, Donald Sutherland

Realizado por Robert Towne

Crítica

Baseado na obra de John Fante, e com o argumento e realização de Robert Towne (argumentista de “Chinatown), “Ask The Dusk” pode-se considerar um romance com um modus operandi e ambiente “noir”.

O filme segue na primeira pessoa, com narração e tudo, Arturo Bandini, um escritor que a todo o custo procura inspiração para o seu próximo trabalho. É numa ida a um café, agastado pela desinspiração e com apenas uma moeda para gastar, que Arturo conhece Camille, uma empregada mexicana com quem vai assumir um relacionamento particular. E tudo isto se passa por volta de 1933, que sabemos pelo terramoto bem presente na película e pelo acidente de uma personalidade que ecoa numa rádio – acabando por ser o retrato desta época a grande mais valia deste filme.

Orientado para um público mais maduro, “Ask The Dusk” foca não só o processo criativo de um escritor, mas todas as suas duvidas, ingenuidades e a forma como encara o amor, ao mesmo tempo que explora algumas questões étnicas e sociais deste período.

O grande problema deste filme é que ele teima em não arrancar, sendo acima de tudo uma obra muito passiva e onde praticamente nada acontece. E tudo isto nota-se mais pelo fracasso na forma de abordar a relação entre Arturo e Camille, pois se as personagens estão bastante bem aprofundadas, os seus relacionamentos nem por isso.

Já no que toca aos secundários a situação é mais dramática, pois todos eles parecem pouco explorados, e em última instância não funcionam a favor da narrativa, e na sua importância nela.

Talvez Towne estivesse convencido que se tudo funcionasse bem com o seu duo, o resto era menor, mas a verdade é que é o espaço, o ambiente e todos os demais elementos estáticos que triunfam nesta obra.

Como resultado, e como já disse acima, o espectador vai assistindo a tudo sem nunca verdadeiramente se ligar aos protagonistas, sendo particularmente tedioso o último terço, saltando apenas para a ribalta a brilhante fotografia de Caleb Deschanel.

Uma última nota para os actores envolvidos no projecto. Se Colin Farrel cumpre, é Salma Hayek que se destaca, pois varia uma luminosidade apaixonante, com um tom sombrio e dramático comovente… Mas isso não chega … 4/10 Jorge Pereira

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