Howie é um jovem que no espaço de uma semana perde tudo. A mãe morre, o pai não lhe dá atenção e só encontra companhia junto dos amigos. Aí começa a arrombar casas , e destruír. Um dia entra na casa de « Big john » um homem respeitado da comunidade mas que tem telhados de vidro. Mas não é só « Big John ». o seu companheiro de sempre, Gary também o enganou…e agora ?
Elenco
Brian Cox e Paul Franklin Dano
Realizado por Michael Cuesta
Crítica
Realizado por Michael Cuesta e escrito pelo mesmo em conjunto com Stephen M. Ryder e Gerald Cuesta, L.I.E. (Long Island Expressway), é um filme que aborda a história de quatro jovens que partilham todos algo em comum; a família disfuncional “made in the 90’s”.
Seria fácil encontrar influências nesta película de outros filmes, mas visto se tratar de uma dura realidade dos nossos tempos, vou referi-las sem tentar com isto dizer que o filme tem falta de originalidade.
Logo à partida notamos as conversas à “Kids”. Depois vem o toque de cariz sexual e de homossexualidade (neste caso de venda de favores sexuais) de “Basketball Diaries” e claro a pedófilia de “Felicidade”. Porém apesar de ser um grupo de quatro jovens, Michael Cuesta realça dois e a sua relação entre si e com o mundo. Howie (Paul Franklin Dano) é um jovem cuja mãe morreu há pouco tempo na LIE. Rapidamente o pai encontrou substituta deixando o seu filho a um abandono surdo-mudo de sofrimento reprimido. A este junta-se Gary (Billy Kay), um jovem que sonha em ir para a Califórnia. Prostituto, mantém uma relação com um homem bastante mais velho (Brian Cox, que faz de Hannibal Lecter em “Manhunter” e que recentemente participou em “The Ring”). Sim… é pedofilia. Porém, ao contrário do normalmente caricaturado pedófilo nojento que surge em quase todo este género de filmes, Big John (o seu nome na película) é um amante de jovens mas até onde estes o deixam ir. Esta amostra de pedofilia é sem dúvida notável e durante todo o filme assistimos a Big John a fazer o papel que deveria pertencer ao pai de Howie. Não haja porém aqui grandes dúvidas. O filme não é uma apologia à pedofilia mas antes um tentar compreender melhor estas personagens sem entrar no facilitismo do condenar e carregar de defeitos o pedófilo.
Por outro lado, Michael Cuesta explora muitíssimo bem o mundo juvenil dos sem “família” (no verdadeiro sentido da palavra). Ao mesmo tempo desenvolve uma sequência narrativa com bastante comédia e uma ponta extremamente irónica.
LIE é aquilo que se chama uma película com “alma” e que para além dela cria uma ligação especial entre o filme e o espectador nunca deixando este realmente a condenar alguém, ou a ser compreensível com tudo. Se tiverem a oportunidade de ver este filme, não percam… 8/10 Jorge Pereira

