Corre, Dakota, Corre
Tessa está a morrer. Decidiu parar os tratamentos para a leucemia, e tendo os dias contados, decidiu fazer uma lista de coisas a fazer antes de morrer, muitas delas ilegais, claro. Pelo meio, apaixona-se por Adam, o seu vizinho do lado.
Seria muito fácil deitar abaixo um filme como este, enésima variação do modelo “Love Story”, aqui com uns tiques britânicos, um toque de transcendência, e até com uns rasgos que nos lembram, sabe-se lá como, “Corre Lola Corre” (será o genérico animado, e ver Dakota Fanning a correr em várias cenas, a correr contra o tempo que lhe escasseia, digo.).
Mas se o realizador e argumentista Ol Parker (“Imagine Me & You”) não reinventa de todo aqui a roda, também não a conspurca muito, e “Agora Estou Bem” vê-se sempre com agrado, sendo capaz de roubar aqui e ali uma lágrima ao espectador que esteja mais suscetível de ser manipulado – aqui com a preciosa ajuda da menina crescida Dakota Fanning, que encarna na perfeição o papel de protagonista amaldiçoada (e consegue safar-se bastante bem com o sotaque!), e dos sempre estimáveis Olivia Williams e Paddy Considine. Parabéns também ao consultor musical, pela escolha de artistas como Boards of Canada, Lana Del Rey (em versão remixada), Ellie Goulding (com o seu tema mais deliciosamente meloso: “I Know You Care”), Low ou M83 para pontuar toda a transcendência.
Em suma, no campeonato “adaptações de Nicholas Sparks e companhia/variações de Love Story”, “Agora Estou Bem” consegue os mínimos olímpicos para se qualificar como filme obrigatório para pessoas já suscetíveis a estas histórias… aos restantes, é mais um filme para acompanhar as tais pessoas sensíveis num domingo à tarde, com a vantagem de ser bem menos chato que a maioria.
O melhor: os atores e a seleção musical
O pior: a previsibilidade
| André Gonçalves |

