É muito comum criticar-se as coletâneas de pequenos filmes que reúnem diversos autores por serem uma montanha russa em termos de qualidade. Em “Movie 43” isso não acontece: apesar dos 13 realizadores, uns-sabe-se-lá-quantos argumentistas e dos quatro anos que a participação de tanta gente famosa exigiu para que fosse terminado, o resultado é bastante homogéneo. Por outras palavras, “Movie 43” é uma obra que se mantém horrenda do início ao fim.
Pode acontecer a qualquer um contar uma má anedota, algo que parecia que tinha piada, mas que depois de exposta gera risos forçados e constrangimentos. O problema é que está peripécia “cómica” tem uma hora e meia, custou U$ 6 milhões, reuniu “dúzias” de profissionais e ainda conseguiu arrastar para o lodo 30 (!) estrelas entediadas com a sua vida de celebridades. Alguns deles estão nomeados ao Oscar (Hugh Jackman, Naomi Watts), outros já ganharam (Kate Winslet, Halle Barry) e os demais fazem parte da constelação de estrelas de Hollywood.
Peter Farrelly, que já realizou alguns filmes bastante divertidos (“Doidos à Solta”, “Doidos por Mary”) parece ser o cérebro (ou a falta dele) por trás do projeto que, sabe-se lá porque, atraiu estes famosos todos para uma ode ao mau gosto – e onde o conteúdo de qualidade duvidosa (à volta de sexo e intestinos, essencialmente) é executado de uma forma que, se o objetivo era chocar, consegue pela absoluta falta de talento de quem o faz.
Com muito esforço pode se conceder algum crédito ao segmento realizado por Elizabeth Banks, “Middleschool Date” que, ao filmar uma comédia de forma tradicional, consegue produzir algum humor no meio de toda a parvalheira pretensamente heterodoxa. Este é seguido por um anúncio da “tampax” (obra do sueco Patrik Forsberg) que termina por ser o melhor momento de “Movie 43” ( Mas só dura dez segundos…).
O que os produtores/realizadores/argumentistas deste filme mereciam era uma sentença de prisão de dez anos onde seriam obrigados a assistir todos os dias os sketches dos Monty Python – no mínimo para aprender a criar uma comédia com non-sense, disparates, absurdos e ao mesmo tempo… engraçada.
Ou então, e já que estamos a falar dos Python, esperá-los à saída de uma projeção-teste e dar-lhes o mesmo tratamento que o oficial nazi vivido por John Cleese em “The Funniest Joke in The World” concede aos cientistas encarregues de criar uma réplica germânica à uma piada que os britânicos inventaram na 2ª Guerra Mundial e que, literalmente, “matava de rir”. Bastante insatisfeito com os resultados, cada vez que um deles apresentava uma nova anedota ineficiente, Cleese o executava com um tiro na cabeça gritando: “It’s not funny”!
O Melhor: os dez segundos do anúncio de tampax e o segmento realizado por Elizabeth Banks
O Pior: IT’S NOT FUNNY!

Roni Nunes

