A realizadora/argumentista Lorene Scafaria quer o melhor dos dois mundos em «Até que o fim do mundo nos separe»: o humor e descontração de um road movie com Steve Carell e o peso melancólico do desespero do fim-do-mundo de «4:44» de Abel Ferrara ou de «Melancholia».
Claro está que não o poderia ter – diversão e extinção não somam – mas a verdade é que para uma comédia romântica “light” desproporcionadamente ambiciosa, o resultado é deveras bem sucedido. Ainda mais – o lado romântico, triste e melancólico é o seu forte. Já a comédia nem por isso.
O mundo vai acabar dentro de poucos dias – um meteorito vai cair na Terra. A maioria decide viver como se não houvesse amanhã. Mas Dodge (Steve Carell) não pensa desta maneira, e quando a sua mulher o deixa para ir viver os últimos dias na loucura, ele decide ficar sozinho em sua casa.
No entanto, quando conhece a sua vizinha, Penny (Keira Knightley), os seus últimos dias ganham um sentido: ajudá-la a arranjar um avião que a leve de volta para Inglaterra para ver a família uma última vez.
Escrito um pouco como «Nick and Norah’s Infinite Playlist», que teve o argumento de Scafaria, «Até que o fim do mundo nos separe» é uma road-trip com duas almas perdidas a encontrarem personagens estranhas (com vidas estranhas) enquanto se descobrem a si mesmos. As situações supostamente divertidas raramente funcionam e as personagens secundárias oferecem pouco mais do que situações previsíveis. O lado barato do filme não funciona de todo.
Mas para nosso bem, Carell e Knightley são atores capazes e fazem os protagonistas funcionar. São divertidos e carismáticos e a viagem é mais do que agradável.
Talvez o grande mérito de Scafaria seja a coragem de assumir tudo o que promete no fim: «Seeking for a Friend» é uma comédia romântica no limite do fim-do-mundo, e quando este chega, percebemos que é muito raro vermos um filme que vai tão radicalmente da diversão “light” à hora mais negra da humanidade.
O melhor: Carrel e Knightley são um simpático casal improvável.
O pior: As personagens secundárias que apenas oferecem capítulos patetas ao filme.
| José Pedro Lopes |

