Gaspard e Marion são dois jovens apaixonados, que veem o seu quotidiano alterado quando encontram um telemóvel. Curiosos para encontrar a dona do aparelho acabam a seguir um casal que parece envolvido num estranho pacto de suicídio. Ele morre, mas ela, com a ajuda dos jovens, sobrevive.
A partir daqui Marion tenta seguir com a sua vida, mas Gaspard está irremediavelmente obcecado pela misteriosa sobrevivente, Audrey (Louise Bourgoin que tem bastantes semelhanças com a americana Katherine Heigl).
Revisitando alguns elementos típicos dos filmes noir, e dando uma valente piscadela de olho a “Veludo Azul” de David Lynch, “O outro mundo” transporta-nos para uma ação mais virada para a era digital, e onde os personagens acabam por viver uma ação paralela (mas igualmente complementar) no jogo on-line “Black Hole”, uma espécie de “Second Life” .
Na construção da teia, o filme acaba por ter um inesperado charme e capacidade de prender o espectador, que acaba por se dissipar na conclusão algo atabalhoada que lhe é dada, e que prejudica (e de que maneira) o resultado final. Neste caso, Gilles Marchand, realizador e co-argumentista do filme, parece sofrer de um mal que tem apoquentado muitos cineasta e argumentistas: uma excelente premissa inicial com uma conclusão que não satisfaz.
Por isso, e de uma forma geral, “O Outro Mundo” é uma proposta diferente do habitual, cuja primeira hora conseguirá empolgar o espetador, quer na parte real, quer na parte digital. No entanto, acaba por se banalizar a si próprio na reta final e tornar-se num produto que se esquece com alguma facilidade.
O Melhor: Toda a ambiência do filme.
O Pior: Tornar-se banal.
| Carla Calheiros |

