«War Horse» (Cavalo de Guerra) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Independentemente da qualidade do produto final, a verdade é que sempre que Steven Spielberg se senta na cadeira de realizador é um acontecimento cinematográfico. Este ano, Spielberg assina “Cavalo de Guerra” um filme baseado na obra de Michael Morpurgo e que retrata a amizade entre um cavalo e um rapaz na Europa devastada pela Primeira Guerra Mundial. Os ingredientes estão assim reunidos para que o homem que já emocionou gerações, volte a fazer muitas lágrimas correrem pelas salas de cinema.
 
A história é dividida em várias partes, e começa em Devon retratando a relação do jovem rapaz e de um rebelde potro. Aqui tudo é dominado pelo colorido do campo, com personagens peculiares e caricatas, que ajudam a alavancar a história com alguma ligeireza mas com a certeza de que tudo mudará em breve.
 
Isto porque o cavalo acaba por ser vendido para servir na guerra, e a partir daqui os horrores do conflito tomam conta da história. No entanto, não nos podemos esquecer que poucos conseguem filmar a guerra com a crueza com que Spielberg o faz. Por isso, o realizador entra na sua zona de conforto com sequências de conflito bem conseguidas, pinceladas aqui e além pela bondade versus maldade dos diversos “donos” do cavalo. E com o realizador a manipular, com a habitual mestria, o espetador entre a espetacularidade visual, alguns sorrisos e a muita emoção, para nos lembrar que pelo sim pelo não, convém ter sempre um lenço à mão.
 
Tal como esperamos de Steven Spielberg, “Cavalo de Guerra” é irrepreensível em todos os aspetos técnicos. No campo das interpretações, não há ninguém a destacar pois o cavalo Joey acaba por ser o fio condutor do filme, mas também o principal causador das maiores emoções. Há ainda, como esperado, sequências absolutamente inesquecíveis, como por exemplo o momento em que Joey fica preso em arame farpado na terra de ninguém.
 
Assim sendo, o filme acaba por caminhar para o final esperado, onde não se coíbe de puxar descaradamente à lágrima, e onde a sequência final, que nos lembra o grande “E tudo o vento levou”, ficando presa num limbo entre a ripagem e a homenagem.
 
Por isso, “Cavalo de Guerra” é o que esperamos dele, um enorme epopeia Spielbergiana carregada de emoção e cinematograficamente irrepreensível. Não será uma das suas obras de topo, mas para quem procura um filme nestes parâmetros não saíra da sala nada desiludido.  
 
 
 Carla Calheiros
 

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