Na Irlanda do século XIX encontramos Albert Nobbs, um homem discreto e de poucas falas que serve como criado num pequeno hotel. No entanto, Nobbs tem um segredo, pois é na realidade uma mulher que vive transvestida de homem para conseguir exercer aquelas funções, e respetiva retribuição.
As razões de Nobbs, cujo nome feminino desconhecemos, só serão expressas mais à frente no filme, pelo que numa fase inicial, “Albert Nobbs” é uma interessante comédia de costumes muito centrada na vida dos criados, e que lembra séries como “Upstairs/Downstairs”, por exemplo.
No entanto, o mundo de Albert Nobbs sofre um profundo abanão quando conhece Mr. Page (Janet McTeer), uma mulher que também assumiu identidade masculina, mas que vive uma vida mais normal, ao ter a sua casa e a sua esposa. Isto dá esperança a Nobbs, até ai tão reprimido como o espartilho que lhe tira as formas femininas, por expressar o seu amor por Helen (Mia Wasikowska), uma das criadas do hotel, que está perdida de amores por Joe (Aaron Johnson).
Claro que este momento de abertura de Nobbs é o verdadeiro ponto de rutura no filme, que passa rapidamente a um melodrama, temperado pelas vicissitudes do estranho triângulo amoroso que retrata. É no entanto nesta transição de género que “Albert Nobbs” perde força e fulgor, e se transforma num filme completamente mediano, e com dificuldades de se conectar com o espectador.
Embora o elenco acabe por funcionar como um bloco, é notório o trabalho meritório de Glenn Close em prol do seu personagem. A verosimilhança de Close parecer um homem junto dos que a rodeiam não tem, a meu ver, a maior das influências na opinião final do filme, dado que também nunca ninguém percebeu que Clark Kent sem óculos é o super-homem, por exemplo.
Por isso, “Albert Nobbs” acaba por ir numa linha descendente até ao final, que de uma forma geral é pouco satisfatório, e o coloca quase em exclusivo na categoria melodramazinho, sem mais. E que acaba por deixar a sensação que face ao empenho inicial, “Albert Nobbs” poderia ser um filme muito mais bem conseguido. Mesmo assim, e pelo trabalho meritório do elenco, “Albert Nobbs” merece uma espreitadela.
O Melhor: Glenn Close
O Pior: Passar de um filme bom, a um melodrama de domingo à tarde num ápice.
| Carla Calheiros |

