«Hugo» (A Invenção de Hugo) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

É curioso perceber que este ano, os dois filmes mais cotados nos prémios sejam duas homenagens carregadas de nostalgia à arte do cinema. Temos de um lado um filme francês sobre o glamour de Hollywood, e do outro uma produção americana centrada em Paris, e em todo o seu esplendor.
 
Aliás, a nostalgia no filme de Scorsese começa logo no centro de toda a ação, a Gare de Orsay, estação de comboios agora desativada e que alberga um dos museus obrigatórios numa visita a Paris. É por entre as paredes da estação que vive Hugo Cabret, um pequeno órfão que sobrevive escondido, dando corda aos relógios de Orsay, e com um objectivo consertar um pequeno autómato, única recordação do seu pai.
 
A partir daqui começa a delinear-se o argumento, cruzando Hugo com os outros habituais da estação e convergindo numa bifurcação onde a história já algo batida do órfão, se cruza com uma bonita homenagem ao cinema e a um dos seus pioneiros.
 
Falar mais sobre a história seria privar o espetador de poder de experienciar por si só o deleite que “A invenção de Hugo” é. Com uma execução competente como é seu apanágio, Scorsese constrói um filme muito centrado nas personagens das crianças, mas que em nada é um filme infantil, ou diretamente vocacionado para essa faixa de público.
 
Entre os atores, Asa Butterfield é suficientemente convincente no seu papel de Hugo, mas os destaques vão para Chloë Moretz, que já surpreendera anteriormente em “Kick Ass” e para Sir Ben Kingley. Como aspeto negativo apenas salientar que da galeria de secundários um pouco esquecido e apagados, alguns dos quais nada trazem ao filme, mas é apenas um pequeno senão em mais de duas horas de plena magia.

Tantas vezes esquecido pelos seus pares, Martin Scorsese nunca deixou de amar o cinema e aqui, fugindo um pouco aos seus registos mais habituais, escreve uma bela declaração de amor à sua arte favorita, e porque não dizê-lo à minha também. Cinéfilos deleitem-se! 
 
O Melhor: Praticamente tudo.
 
O Pior: Há um excesso de mini plots entre os secundários que nada acrescentam.
 
 
Carla Calheiros
 

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