Não é fácil classificar qualquer desempenho de uma atriz da estirpe de Meryl Streep e intitulá-lo como o papel de uma vida. Estou ciente de que aquela que é, hoje em dia, uma das maiores da sua profissão possa daqui para a frente voltar a surpreender como novos papéis. No entanto, sou do “lobby” que acredita que só uma surpresa poderá fazer com que Streep não leve consigo a sua terceira, e já muito merecida, estatueta na noite dos Óscares.
Se começo por salientar a atriz em detrimento do filme é porque “A Dama de Ferro” vive quase em exclusivo do brilhantismo da sua protagonista. Durante pouco mais de hora e meia Streep encarna de forma irrepreensível a dama de ferro britânica, lutando mesmo contra o medianismo a que se o filme se resolveu auto impor. Tal como há algum tempo atrás salientei em “J. Edgar” de Clint Eastwood, também este “A Dama de Ferro” de Phyllida Lloyd retrata uma figura de amores e ódios com um inesperado sentimento neutral.
Começamos por encontrar Margareth Thatcher idosa, praticamente senil. E é assim através de conversas imaginárias com o marido, já falecido, que recordarmos alguns dos momentos mais marcantes da sua vida política. Longe de ser uma cinebriografia comum,” «A Dama de Ferro» acaba por ser somente um filme que se baseia em determinados episódios de uma carreira política marcante, mas que falham em retratar o carisma da mulher que acabaria por ser a primeira, e até agora, única Primeira-Ministra britânica.
No final, a biografia de Thatcher acaba por deixa um sentimento de desilusão no ar, sobretudo porque com o material que dispunha, o filme poderia ter sido francamente mais satisfatório.
O Melhor: inevitavelmente Meryl Streep
O Pior: A repetição dos planos de Thatcher impávida no carro perante os manifestantes é preguiçosa e desnecessária.
| Carla Calheiros |

