Hoje em dia, os Marretas já não são o que eram. Quase arredados da televisão salvo em especiais, os bonecos criados por Jim Henson têm perdido muita influência. O filme pega inteligentemente no esquecimento dos Marretas como ponto de partida. O enorme legado dos Marretas aparece-nos agora decadente e prestes a acabar para sempre. É no meio disto que aparece Walter, o fã numero um, que com a sua perseverança convence Cocas, a tentar salvar os Marretas.
A partir daqui há de tudo um pouco: Piggy, Fozzie, Gonzo e companhia, regressam no meio de muita cantoria e dança. Claro que nem só de bonecos vive o filme, e pelo meio lá há também o “sub-plot” humano, onde Mary terá de “disputar” a atenção do namorado com os adorados bonecos.
Independentemente do seu valor cinematográfico, e até da grandeza da história que os trás de volta, a verdade é que o simples regresso dos Marretas já suscita por si só um enorme alvoroço entre os fãs. E, pela quantidade significativa de “cameos”, parece que também os famosos não foram alheios ao frenesim.
Por isso mesmo, e embora não traga a mais original das histórias, e que caia em clichés sobre a união e a força dos sonhos, a verdade é o filme apresenta alguns trunfos sendo um dos mais apetecíveis a capacidade de brincar consigo mesmo.
Se para as crianças de hoje em dia os Marretas pouco significado tem, a geração dos atuais trinta anos tem aqui uma hipótese de ouro para se deleitar com um exercício de pura nostalgia. Por isso, durante hora e meia esqueçam a troika e a austeridade, aproveitem o sentimento “feel good” do filme, e revivam a magia que os Marretas trazem. Vale a pena e bem precisamos.
O Melhor: A nostalgia de ver o genérico do “The Muppets Show”.
O Pior: Há pouco tempo de antena para os idosos no balcão e para o chefe Sueco, pena!
| Carla Calheiros |

