«Une Petite Zone de Turbulences» (Uma Pequena Zona de Turbulência) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Jean-Paul Muret é um exemplo do mau viver. Em vez de apreciar a sua reforma junto à paisagem idílica do lago ao lado de sua casa, passa os dias aborrecido por causa da casinha do lago que não consegue terminar, da filha que namora com um homem de nível inteletual inferior, e com a homossexualidade escondida do filho. 

Para cúmulo, encontra um pequeno eczema que se convence de que é cancro de pele e descobre que a mulher lhe é infiel. Nada parece correr bem, e Jean-Paul – fechado numa concha de vítima e de resmungão – não faz questão de o esconder. É este o cerne da pequena turbulência que esta família à beira de um ataque de nervos vai passar. 

Embora as disfuncionalidades de todos os Muret e as alterações de comportamento que terão de ter, para simplesmente viverem melhor, sejam o centro de todo o filme, a verdade é que a ele falta algum nervo e fogosidade para agarrar em definitivo o espetador. 

Pela positiva, destaque para Michel Blanc, que compõe de forma excelente o seu depressivo hipocondríaco, tão de mal com a vida que é capaz de tirar a alegria do rosto de uma criança, mas ao mesmo tempo digno até de uma certa pena e de  carinho. 

Numa altura em que as pessoas vivem tão intensamente mergulhadas nos seus próprios, e por vezes inúteis dramas, “Uma pequena zona de turbulência” mostra-nos que por vezes vale a pena perder algum tempo a olhar para o cenário maior e a melhorar. Apenas para apreciadores de dramas cómicos de famílias disfuncionais.

O Melhor: Michel Blanc

O Pior: Não ter o arrojo de ir ainda mais além. 
 
 
Carla Calheiros
 

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