Inserido no que poderemos chamar de filmes “coming-of-old-age”, “Três vezes vinte anos” segue o que creio que toda a gente começará a pensar um dia; como serei eu quando for “velha”?
Mary e Adam são um casal perto dos 60 anos de idade. Tendo vivido até ali uma vida normal, o casal tem dificuldade em aceitar a entrada na chamada “terceira idade”. O problema é que ambos enfrentam a passagem dos anos de forma diferente e isso pode levar à sua rutura. Ela fica presa num limbo entre a respeitabilidade da idade, a tentativa de ainda se sentir desejada, e sobretudo de se manter ocupada. Já ele regride, embarca num complicado projeto profissional, começa a vestir roupa mais juvenil, a beber “Red Bull”, e a combater os efeitos da idade.
Escrito e realizado por Julie Gravas, filha do prestigiado Costa Gravas, “Três vezes vinte anos” é um filme que encerra em si muitas questões femininas, relacionadas com o passar dos anos, mas que não esquece igualmente o lado masculino desta passagem do tempo.
Temperado com humor e com drama, tem em William Hurt e Isabella Rossellini um dupla segura de protagonistas, mas é notório que sendo realizado e escrito por uma mulher, o filme “tome o partido” da sua protagonista. Igualmente de saudar a pequena mas marcante participação de Joanna Lumley, a inesquecível Patsy de “Absolutamente Fabulosas”, como Charlotte, a melhor amiga de Mary.
Por isso mesmo, “Três Vezes Vinte Anos” é um filme que acaba por ser apetecível para um público mais maduro, mas que acaba por ser transversal nas audiências que abrange.
O Melhor: O grupo de idosos, amigos da mãe de Mary.
O Pior: Tende sempre a mostrar os mais jovens como tolos.
| Carla Calheiros |

