«Machine Gun Preacher» (O Rebelde Salvador) por Margarida Proença

(Fotos: Divulgação)

Para um filme que pretende contar a verdadeira história do herói americano Sam Childers e que se baseia nas suas próprias memórias, “O Rebelde Salvador”, ao fim de alguns minutos, torna-se aborrecido e repetitivo, mas sem deixar indiferente as pessoas que o assistem, devido à violência e abusos às crianças no Sudão.
 
Sam Childers, interpretado por Gerard Butler, é um motoqueiro, um criminoso e um drogado que esteve preso durante algum tempo. Quando sai da prisão percebe que a sua mulher, Lynn, optou por ter outra vida, deixando de ser stripper para se entregar a Deus na esperança de uma vida melhor, ao contrário de Chilerds que parece querer continuar com a vida que levava. Mas se ele era um criminoso que parecia não ter volta a dar isso rápido se torna possível, pois tal como a esposa ele encontra na fé o ponto de mudança. Sam reconstrói a sua vida e decide ir em missão para África ajudar na construção de habitações para os mais necessitados, acabando mesmo por ficar obcecado e devoto da religião. É aí que ele vai ter de lidar com a triste realidade e encontra a sua missão: resgatar as crianças que foram forçadas a serem soldados pelos militares das forças de resistência (LRA). Aí depara-se com um cenário de guerra tremendamente assustador, em que as crianças são obrigadas a matar os seus próprios pais e são feitas reféns para se tornarem soldados ou escravos. Sem ficar indiferente com estes abusos, ele decide ajudar e construir um orfanato para as crianças órfãs e passa a ser conhecido pelo “padre branco”.  
 
“O Rebelde Salvador” é definitivamente um filme que constantemente se refere à religião e ao poder desta, um pouco cansativo para os mais ateus. Todo este fanatismo acaba por tornar Sam num revolucionário, acabando mesmo, também ele, por entrar em guerra com os soldados da LRA.
 
Gerard Butler é um actor que já estamos habituados a ver em papéis musculados (300)  e aqui dá vida a um  Childers mais musculado e com melhor aspecto do que realmente ele é na vida real. O mesmo acontece com a actriz Michelle Monaghan que protagoniza Lynn, a mulher de Sam, e que ao longo da fita faz lembrar Emma Stone. 
 
Apesar de a película retratar a história verídica de um homem que com a sua crença decidiu ajudar os mais carenciados e lutar contra injustiças, “O Rebelde Salvador” peca em se tornar um pouco confuso e repetitivo, ora vemos  Childers a ir para o Sudão, ora os vemos de volta à Pensilvânia, e de novo para o Sudão, sempre deixando para trás a mulher, a filha e os próprios amigos. Talvez teria sido melhor executar a obra em estilo documentário e não numa longa-metragem ficional, pois acaba por deixar muitas questões no ar, não explicando como é que certas coisas aconteceram. 
 
Ainda assim o filme merece uma olhadela, especialmente para quem não conhece a história deste «Rebelde Salvador»…
 
O Melhor: A força de uma crença e o poder e vontade de ajudar os que mais necessitam. Tudo é ainda melhor por ser uma história verídica. 
O Pior: Extensa de mais o que torna o filme aborrecido. 
 
 
 Margarida Proença
 

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