“Apollo 18” insere-se na linha de filmes “found footage” – tão popularizado recentemente com fenómenos como “Paranormal Activity”. Como não podia deixar de ser, o filme pega em algo que geralmente nos fascina, e nos assusta, neste caso as missões à lua, tudo através das ditas gravações encontradas.
É do conhecimento público que o plano Apollo de exploração lunar terminou com a missão Apollo 17, mas aqui, o realizador quer fazer-nos crer que houve realmente uma missão ultra-secreta ao satélite da terra, a de Apollo 18, em que tudo correu extraordinariamente mal.
O que realmente aconteceu para que a Nasa desistisse de ir à lua poucos saberão e é nisto que o filme alcança um dos seus maiores méritos, o de relançar a discussão sobre a relação do ser humano e da lua, uma conquista meritória abandonada sem grandes explicações há 40 anos atrás. Os fracos resultados no “box office” dos Estados Unidos mostram que para os americanos, a hipótese da missão mal sucedida da Apollo 18 não convence.
A missão começa sem aparentes problemas, mas o grau de stress e claustrofobia vai crescendo, alicerçado sobretudo nos planos fechados e espaços pequenos, nomeadamente o interior do modelo lunar. Quando os dois astronautas encontram um modelo lunar e o corpo de um astronauta russo, eles convencem-se de que algo de muito errado se passa no local. E é aqui que reside a força do filme, num grau crescente de choque, numa fórmula muito antiga de não confiar em ninguém e que ganha novos contornos quando na realidade só lá estão duas pessoas (ou não).
Embora tenha alguma inovação na sua temática, “Apollo 18” é arrastado numa enxurrada crescente de filmes deste género, não trazendo algo de propriamente criativo ao cinema. Se esta ideia tivesse surgido há 10 ou 15 anos atrás, este filme poderia ter sido realmente o novo “Blair Witch Project”.
Como em qualquer filme do género é-me difícil não só classificá-lo como recomendá-lo a uma faixa específica de público. Neste caso, e sendo a temática dominante o espaço, e mais especificamente o terror no espaço, deverão ser estas fatias de público as que agradavelmente assistirão ao filme. O público habituado aos “found footages” não estranharão nada. Já os mais habituados aos “blockbusters” espaciais devem passar ao lado desta fita sob pena de reclamarem o preço do bilhete pela má qualidade da imagem.
O Melhor: Põe-nos a pensar porque nunca mais fomos à lua.
O Pior: Esta ideia chega pelo menos uma década atrasada, uma pena.
| Carla Calheiros |

