«Niko – Na Terra do Pai Natal» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Apesar de ter sido dos últimos filmes de animação destinada a crianças a estrear nas salas neste natal – a par de «O Rei Leão 3D», «Niko – Na Terra do Pai Natal» é um filme finlandês originalmente lançado em 2008 e que neste momento tem já em estado avançado os trabalhos da sua sequela, a lançar em 2012.
 
Na obra seguimos Niko, uma rena que acredita que um dia vai conseguir voar e que parte da sua comunidade à procura do seu pai, uma das renas da Escolta Especial do Pai Natal (uma espécie de elite na sua espécie, como filme deixa entender).
 
Claro está que essa viagem vai estar repleta de aventuras, mais ou menos perigosas, pois um bando de lobos famintos que expulsou a sua família persegue-o e deseja mesmo comer o pai natal.
 
Com Niko nesta aventura segue também um esquilo (capaz de planar),  que pelo que o filme nos conta juntou-se às renas após um dia regressar a casa e a sua família ter desaparecido (culpa dos lobos).
 
Tal como o pinguim que não sabia cantar em «Happy Feet», ou outros animais que queriam ser algo mais do que são (como até o pato em «Babe» que queria ser um galo), «Niko – Na Terra do Pai Natal» segue a linhagem de obras e conceitos em que a perseverança e o idealismo são um ponto inteiramente positivo, mesmo quando os objectivos são cegos e colocam em risco todos os que circundam à sua volta. Assim, e pela obra, deambulam personagens que querem ser algo mais do que o são, como outra que não tem problemas em dizer que abandonou a família porque tinha o sonho em ser cantora. 
 
Depois lá vêm os clichés. Sejam lobos ou cobras, estes são quase sempre vilões implacáveis no cinema, ainda que no fundo sejam um bando de esfomeados (que segundo o filme facilmente até se tornariam vegetarianos). Por fim, lá chega a razão moral de toda a história, curiosamente semelhante ao que este ano já tínhamos visto em «Panda do Kung Fu 2». Não interessa muito quem é o nosso pai biológico, o que interessa é quem cuida de nós.
 
No que diz respeito ao ponto de vista técnico, o filme é uma animação perfeitamente normal sem qualquer pretensão de elevar o género. Pessoalmente não se ganha grande coisa em assistir numa sala de cinema ao filme, ainda que a pequenada certamente se encante com as aventuras da rena que procura um sentido maior para a sua vida. Talvez o segundo filme da saga, que será em 3D, evolua nesse sentido.
O Melhor: Os miúdos (até aos 6 anos) vão achar graça ao universo Niko
O Pior: Alguma glorificação do conceito da fama efémera e do devemos fazer tudo para seguir os nossos sonhos, nem que coloquemos todos  os que estão a nosso lado em risco.
 
 
 Jorge Pereira

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