O enredo é simultaneamente simplista e altamente improvável. A caracterização e evolução das personagens é relegada para segundo plano. Mas caramba se não saímos de “Missão Impossível 4: Operação Fantasma” com um inexplicável sorriso de felicidade.
Na sua estreia fora do cinema de animação, Brad Bird (The Iron Giant, The Incredibles, Ratatouille) mostra uma surpreendente capacidade de perceber o que torna um bom filme de acção interessante, equilibrando o ritmo frenético com uma beleza inesperada na coreografia das principais cenas de acção.
Desde perseguições de carros durante tempestades de areia a levitação com ímanes, de cenas de luta intermináveis em parques de estacionamento impossivelmente a altos a uma cena de grande destaque na qual Tom Cruise (que afirma não ter recorrido a duplos ou efeitos especiais) quase faz um bailado preso por um fio na parte de fora do prédio mais alto do mundo, no Dubai, todo o filme caminha de cena de acção em cena de acção com uma reverência inegável às convenções do género mas sempre com o desejo de inovar visualmente.
Ainda que acabe por não ser exactamente o mais importante, o desempenho dos actores é irrepreensível, ainda que limitado pela assumida falta de preocupação com qualquer espécie de evolução dramática. Tom Cruise mostra-se completamente à vontade como o centro estóico de toda a acção, bem rodeado pelo humor de Simon Pegg, a ambiguidade de Jeremy Renner e a… agressividade sexy de Paula Patton.
“Missão Impossível 4: Operação Fantasma” está longe de ser um candidato ao Óscar. Mas como puro entretenimento? Aí poucos chegam a este nível. Estarão todos os espectadores dispostos a deixar o seu cinismo à porta? É um pedido que pode parecer injusto – um filme é um filme é um filme – mas inegavelmente adequado a esta situação. É esta a vossa missão… caso decidam aceitá-la.
O Melhor:A beleza surpreendente de algumas das principais cenas de acção.
O Pior:A improbabilidade do enredo. Com a importância relativa que tal tem.
| Pedro Quedas |

