«The Debt» (Dívida) é um remake americano de um filme israelita e segue duas linhas temporais distintas separadas por 30 anos. Tudo começa em meados da década de 60, quando três operacionais da Mossad preparam uma missão na Alemanha. O plano é apanhar e levar à justiça um criminoso de guerra chamado Dieter Vogel, conhecido como o cirurgião de Birkenau. A missão acaba por ter um final satisfatório e eles são recebidos como heróis em Israel, passando a viver “à sombra” do seu sucesso.
Passados trinta anos, o lançamento de um livro sobre a sua missão volta a juntar os três agentes. E é a partir daqui que começamos a descobrir que a dolorosa, mas real recordação da missão, poderá não ter sido tão real assim. O filme acaba por cair rapidamente num thriller, de forma geral bem conseguido e bem contado, sendo uma das suas principais forças a crueza dos diálogos sobretudo, entre o alvo e os operacionais.
“The Debt” está também alicerçado nas boas interpretações, sobretudo de Jessica Chastain e de Helen Mirren, que interpretam Rachel Singer, respectivamente nas décadas de 60 e 90, e do dinamarquês Jesper Christensen, como o execrável Dieter Vogel.
O filme tem a realização de John Madden, que aqui consegue um trabalho seguro e tão cru e cinzento como toda a sua envolvência. Recorde-se que, apenas a título de curiosidade, este cineasta teve o momento alto da sua carreira (de muitos baixos) em 1997, quando conquistou a noite dos Óscares com “Shakespeare in Love”. A opção muito discutida na altura deixou para trás filmes com temáticas mais relacionadas com a guerra, como a epopeia como “O Resgate do Soldado Ryan”, ou a visão mais romântica do Holocausto com “A vida é bela”. Por isso, é no mínimo curioso que Madden após muitos baixos volte à ribalta com um filme que vai buscar também as dores do Holocausto.
Com uma acção a espaços demasiado lenta para um filme do género, mas onde a tensão e a própria angustias são constantes, Madden constrói um filme sólido, e que nos deixa no ar uma questão de consciência sobre o que é realmente certo e errado. No entanto, no final fica a sensação de que de uma forma geral poderia ter sido mais bem conseguido.
O Melhor: As interpretações em geral.
O Pior: O final é precipitado pela lentidão da restante acção do filme.
| Carla Calheiros |

